Morre Lito Sousa, especialista em aviação

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O influenciador, youtuber e empresário Lito Sousa morreu nesta quinta-feira (01), aos 59 anos. Ele tinha a doença de Creutzfeldt-Jakob.

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Além de ter a condição, considerada rara, Lito lutava contra um câncer de próstata em estágio inicial, diagnosticado no começo de 2026.

A doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) é uma condição neurológica rara, grave e fatal que afeta o cérebro.

A condição faz parte do grupo das doenças causadas por príons – proteínas anormais que danificam o sistema nervoso.

O acúmulo dessas proteínas anormais destrói as células nervosas. Isso deixa o tecido cerebral cheio de pequenos buracos.

Entre os principais sintomas, estão perda de memória, confusão mental, dificuldade para andar, falta de coordenação motora, problemas de visão e alterações na fala.

Quem era Lito Sousa

Joselito Geraldo de Sousa tinha mais de 36 anos de experiência na aviação. Formado em manutenção de aeronaves, ele trabalhou em empresas com a United Airlines.

No canal Aviões e Músicas, Lito falava sobre questões como turbulência, manutenção e acidentes aéreos.

Ele era casado com Mila Seidl. E deixa o filho Malone, de sete anos. Confira abaixo a postagem de Mila após a morte do youtuber:

Nas primeiras semanas, Lito perdeu parte da capacidade motora, mas sua lucidez estava preservada.

O que é a doença de Creutzfeldt-Jakob

A DCJ é uma doença causada por proteínas (chamadas príons) que se instalam nos neurônios e os destroem progressivamente. É rara, neurodegenerativa e não tem cura nem tratamento específico, apenas suporte aos sintomas, segundo o Manual MSD de referência médica.

O nome “encefalopatia espongiforme” vem do efeito que a doença provoca no tecido cerebral, que passa a apresentar um padrão esponjoso quando analisado.

“As partículas proteicas entram dentro do neurônio, intoxicam o neurônio, e vão tendo um comportamento absolutamente destrutivo e tóxico na célula”, explicou o neurologista José Bauab ao g1.

Tipos e formas de transmissão

A DCJ tem três formas principais, segundo o Manual MSD:

  • Esporádica: a mais comum, responsável por cerca de 85% dos casos. Acomete principalmente pessoas acima de 40 anos, com média de idade em torno de 65 anos. Não tem causa identificada;
  • Familiar: representa entre 5% e 15% dos casos. É hereditária, com padrão autossômico dominante, e costuma surgir mais cedo que a forma esporádica;
  • Adquirida: provavelmente responsável por menos de 1% dos casos. Pode ocorrer pelo consumo de carne bovina contaminada por príons (a chamada doença da vaca louca) ou por procedimentos médicos, como transplantes de tecidos de cadáveres ou uso de hormônios derivados de hipófise humana.

Sintomas

Os primeiros sinais costumam incluir perda de memória, confusão mental e falta de coordenação. Com a progressão, surgem tremores, mioclonia (espasmos musculares involuntários), alterações visuais e outros sintomas neurológicos que afetam diferentes regiões do cérebro simultaneamente, segundo o Manual MSD.

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Diagnóstico e prognóstico

O diagnóstico é difícil. O principal exame não invasivo é a ressonância magnética ponderada por difusão, que pode detectar alterações características no cérebro. Exames do líquor e eletroencefalograma também são utilizados.

O prognóstico é grave. Em geral, a morte ocorre entre 6 e 12 meses após o início dos sintomas, frequentemente por pneumonia. A forma variante (ligada à doença da vaca louca) tem progressão ligeiramente mais lenta, com expectativa média de 1,5 ano.

Quão rara é no Brasil

De 2005 a 2021, foram registradas 1.576 notificações de casos suspeitos da doença de Creutzfeldt-Jakob no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Desse total, apenas 34% foram confirmados – cerca de 547 casos em 16 anos. São Paulo concentra o maior número, com 202 casos confirmados no período.

Influenciador recebeu autorização para experimentar substância em teste

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Lito recebeu uma autorização excepcional da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ter acesso à substância ALN-6457, um medicamento experimental contra a doença.

O medicamento chegou ao país em 11 de setembro. E Lito foi a primeira pessoa a usá-lo. Quando o medicamento chegou, Lito estava na UTI, estável e, segundo sua esposa, não tinha tido reação à substância após a aplicação.

O ALN-6457 ainda não foi testado em estudos clínicos com humanos. A equipe médica esperava avaliar possíveis mudanças no quadro de Lito por meio de exames nas seis semanas seguintes.

O medicamento é desenvolvido pela Regeneron, nos Estados Unidos, em parceria com a Alnylam Pharmaceuticals. O produto ainda não passou por estudos clínicos, e os dados disponíveis são preliminares.

A tecnologia usa uma molécula chamada siRNA para interferir no RNA mensageiro que carrega as instruções para produzir a proteína priônica. Na doença de Creutzfeldt-Jakob, essa proteína pode assumir uma forma anormal e provocar danos no cérebro.

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A estratégia tenta diminuir a produção da proteína. Com menos proteína priônica disponível, haveria, em teoria, menos material para participar do processo de formação das versões deformadas.

O acesso ao produto ocorreu por meio do chamado uso compassivo, mecanismo que permite a pacientes com doenças graves, debilitantes ou que ameaçam a vida receber produtos ainda experimentais quando não existem alternativas terapêuticas eficazes.

Chegar ao cérebro é uma das dificuldades. A barreira hematoencefálica impede a passagem de muitas substâncias, e o siRNA ainda precisa permanecer funcional depois de entrar nas células.

“Não basta chegar ao cérebro e entrar na célula. Uma vez lá dentro, a molécula ainda precisa resistir para se manter funcional. Ela cai dentro de uma espécie de bolha ácida, que a própria célula usa para digerir o que entra ali — e, se não resistir a esse ambiente, é destruída antes de fazer efeito”, explica o especialista em pesquisa clínica Daniel Dahis ao g1.

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Uma cadeia lipídica chamada C16 é usada na tecnologia para ajudar o siRNA a atravessar a membrana das células.

Não há estudo clínico do ALN-6457 que permita avaliar seus efeitos em pessoas. Entre os dados preliminares, um experimento em camundongos registrou, na menor dose testada, uma redução de cerca de 15% no RNA mensageiro ligado à produção da proteína priônica.

O resultado mostra que a estratégia conseguiu interferir nesse mecanismo, mas não permite concluir que a doença será interrompida. Tampouco há evidências de benefício clínico ou de aumento da sobrevida em humanos.

“O que tem sido visto até agora mostra que estamos falando de uma terapia que reduz, na teoria, a produção da proteína priônica”, disse Dahis.

Para ele, isso “é um indicativo de que a estratégia pode valer a pena ser investigada, especialmente diante de uma doença que hoje não tem tratamento capaz de interromper sua progressão. Mas isso, claro, sempre considerando as incertezas de segurança e uma avaliação individual de risco-benefício.”

Os principais dados conhecidos são:

  • O ALN-6457 não foi testado clinicamente em humanos;
  • Camundongos apresentaram redução de cerca de 15% no RNA mensageiro da proteína priônica;
  • A tecnologia combina siRNA e uma cadeia lipídica C16;
  • Testes com essa tecnologia foram realizados em ratos e primatas;
  • A avaliação de segurança mais completa foi feita em outro programa, voltado à doença de Alzheimer.

Nos testes anteriores em animais, não foram observadas alterações relacionadas à substância em avaliações clínicas, neurológicas e de órgãos. Os estudos, contudo, foram preliminares e de curta duração. Lito permanece na UTI, e os próximos exames devem ajudar a avaliar o efeito da aplicação.

Pedro Spadoni

Pedro Spadoni

Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

Olhar Digital

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