Arroba sobe mesmo com redução das exportações de carne

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A redução das exportações de carne bovina ainda não interrompeu a valorização do boi gordo no Brasil. Com poucos animais disponíveis para abate, frigoríficos elevaram ofertas em diferentes regiões na semana encerrada em 16 de outubro. Para o pecuarista, o cenário favorece a negociação, mas exige acompanhar o calendário das compras chinesas, que começa a influenciar a programação da indústria para os próximos meses.

O contraste aparece nos números. Em setembro, o Brasil exportou 229,3 mil toneladas de carne bovina, queda de 35,1% em relação ao mesmo mês de 2025. Os embarques para a China recuaram 93,2%, para 12,9 mil toneladas, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), com base nos dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Mesmo com esse enfraquecimento da demanda externa, a oferta restrita de gado mantém a disputa pelos lotes disponíveis. No levantamento da consultoria Safras & Mercado de 15 de outubro, as referências a prazo chegaram a R$ 385 por arroba em São Paulo, R$ 370 em Uberaba (MG) e Dourados (MS), R$ 365 em Goiânia (GO) e Vilhena (RO) e R$ 350 em Cuiabá (MT).

As escalas de abate — período de trabalho já coberto pelos animais comprados — estavam entre cinco e seis dias úteis em boa parte das regiões acompanhadas pela consultoria. Quando essa programação encurta, a indústria precisa voltar ao mercado com maior frequência para assegurar matéria-prima.

Compras para 2027 entram na conta

A China acrescenta uma mudança de calendário à negociação do boi. O país estabeleceu cotas anuais para a entrada de carne bovina com a tarifa habitual. Acima desses limites, incide uma cobrança adicional de 55 pontos percentuais, que encarece o produto brasileiro.

Para 2027, a cota brasileira será de 1,128 milhão de toneladas, cerca de 2% acima das 1,106 milhão de toneladas previstas para 2026. A preparação dos negócios, entretanto, começa antes da virada do ano: abate, processamento, contratação do transporte e viagem marítima antecedem a chegada da mercadoria ao destino.

Em comunicado de outubro, a Abiec informou que as empresas se organizam para negociar cargas destinadas ao próximo ciclo da cota chinesa. A entidade também mantém conversas com o governo sobre mecanismos para distribuir melhor as vendas ao longo de 2027.

Para o produtor, o ponto de atenção é a transformação dessa programação em pedidos efetivos dos frigoríficos. A negociação de carne para entrega futura influencia a compra de animais no Brasil antes de aparecer nas estatísticas de embarque. A intensidade desse movimento dependerá dos contratos fechados e da organização das vendas.

Outros compradores ajudam a sustentar o mercado

A retração chinesa tem sido parcialmente compensada por outros destinos. Em setembro, os Estados Unidos receberam 48,3 mil toneladas de carne brasileira, enquanto o Chile comprou 19,4 mil toneladas. No acumulado de janeiro a setembro, as exportações totais chegaram a 2,43 milhões de toneladas, apenas 0,5% abaixo do volume registrado um ano antes.

O mercado doméstico também participa da formação dos preços. A expectativa de maior consumo no fim do ano favorece as negociações, embora a concorrência com frango e carne suína limite o espaço para repasses ao consumidor.

Na fazenda, esperar por uma oferta melhor exige calcular o custo de manter o animal. Alimentação, ganho de peso, condição das pastagens e necessidade de caixa entram nessa comparação. Antes de fechar o lote, vale confrontar propostas de diferentes compradores, considerando preço líquido, frete, prazo de pagamento e data de retirada: a maior cotação por arroba nem sempre representa o melhor resultado da venda.

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