A redução da jornada de trabalho levou a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) a prever ajustes na capacidade das indústrias de aves e suínos, com reflexos sobre a programação das granjas. Para o produtor integrado, que cria animais vinculados a uma agroindústria, a atenção estará no calendário de alojamento e retirada dos lotes durante a adaptação dos frigoríficos.
Em posicionamento publicado no dia 15, a entidade informou que cumprirá as novas regras, mas apontou dificuldades para preencher os postos de trabalho já existentes. Segundo a associação, a contratação de imigrantes tem sido uma das alternativas para completar as equipes. A ABPA prevê aumento do custo médio de produção e eventuais reduções na oferta de produtos.
A mudança foi promulgada pelo Congresso na sexta-feira (16.10). Dois meses após a publicação da Emenda Constitucional 141, passam a valer dois dias de descanso remunerado por semana e o limite de 42 horas de trabalho, sem redução salarial. Após mais 12 meses, a jornada máxima cai para 40 horas.
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Na produção animal, o ajuste exige coordenar etapas que começam antes da chegada ao frigorífico. Pintinhos e leitões alojados hoje seguem um ciclo de crescimento e precisam encontrar capacidade de processamento quando atingirem o peso previsto. Uma alteração no ritmo industrial demanda, portanto, revisão antecipada da programação no campo.
Para as granjas, essa coordenação envolve ocupação das instalações, alimentação e transporte. Prolongar a permanência de um lote altera o consumo de ração e interfere na entrada do seguinte. A dimensão do efeito depende do sistema de produção e das condições estabelecidas entre produtor e agroindústria.
A redução de horas, entretanto, não determina uma queda equivalente no volume produzido. Na primeira etapa, a passagem de 44 para 42 horas representa diminuição de 4,5% no tempo semanal por empregado. O resultado industrial dependerá também de revezamento, contratações, organização dos turnos e produtividade. Ainda não há, no comunicado da ABPA, uma estimativa consolidada de redução dos abates.
Adaptação ocorre com exportações em crescimento
A reorganização chega em um período de expansão das vendas externas. Entre janeiro e setembro, o Brasil exportou 1,192 milhão de toneladas de carne suína, alta de 6,2% sobre o mesmo período de 2025, segundo a ABPA. O desempenho aumenta a importância de compatibilizar os compromissos comerciais com a disponibilidade de animais e a capacidade dos frigoríficos.
No mercado doméstico, a entidade prevê repasse dos custos ao consumidor. A intensidade desse movimento, porém, dependerá da concorrência, da procura e da capacidade de cada empresa de absorver despesas. Na granja, uma eventual valorização da carne no varejo também não significa aumento automático da remuneração do produtor.
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A nova regra preserva espaço para negociação coletiva. Conforme informações do Senado, será permitida a compensação das folgas, com média de dois dias de descanso por semana no mês e pelo menos um repouso a cada sete dias, observadas as condições previstas.
Para o produtor integrado, a providência é conferir com a agroindústria a programação dos próximos lotes, as datas de retirada e os procedimentos diante de mudanças no calendário. Nas propriedades com empregados, também será necessário revisar escalas e acordos coletivos. A preparação conjunta entre granja, transporte e frigorífico será decisiva para cumprir a jornada e manter o fluxo da produção.












