IA expõe falhas e exige mais segurança na web

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A inteligência artificial está acelerando a descoberta de vulnerabilidades em softwares e encurtando o tempo disponível para corrigi-las. Especialistas em segurança cibernética ouvidos pela Reuters preveem novas interrupções em serviços digitais à medida que empresas e governos tentam se antecipar à exploração dessas falhas.

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Uma pesquisa da empresa VulnCheck, com divulgação prevista para os próximos dias, aponta que o número de falhas digitais descobertas dobrou em relação ao ano anterior. Os problemas registrados nesta semana em sites governamentais na Europa mostram a pressão que essas descobertas podem provocar.

sistema avançado de inteligência artificial analisando fluxos de dados digitais e filtrando redes de golpes
Ferramentas de exploração que antes levavam semanas ou meses para serem desenvolvidas podem surgir em horas. – Imagem criada por inteligência artificial

Falhas em diferentes sistemas

As interrupções começaram na quarta-feira, após a descoberta de vulnerabilidades no PHP, linguagem de programação usada em uma ampla parcela da internet. Para evitar ataques, operadores correram para corrigir seus sistemas. Alguns tiraram sites do ar temporariamente porque não conseguiriam aplicar as atualizações antes de possíveis invasões.

A corrida por correções ocorreu em uma semana que já acumulava outros problemas de segurança. Foram divulgadas vulnerabilidades no Node.js e no Plex, além de incidentes envolvendo a plataforma de inteligência artificial LiteLLM e a plataforma de desenvolvimento Railway. A autoridade certificadora indiana eMudhra também chamou a atenção por utilizar uma chave criptográfica extremamente fraca, que poderia colocar usuários da internet em risco.

Matthew Prince, CEO da Cloudflare, afirmou à Reuters conhecer outras vulnerabilidades graves em softwares essenciais para o funcionamento da rede. Na avaliação dele, o setor terá meses difíceis pela frente.

“Acho que teremos alguns anos em que, a cada semana, vai parecer que o céu está caindo”, disse Prince.

O tempo para corrigir falhas está diminuindo

Encontrar vulnerabilidades em programas complexos costumava exigir conhecimento especializado. Desenvolver ferramentas para explorá-las podia levar semanas ou meses, dando aos responsáveis pelos sistemas algum tempo para preparar correções e distribuir atualizações.

A inteligência artificial está encurtando esse intervalo. Os modelos conseguem examinar grandes bases de código continuamente, identificar problemas e ajudar a desenvolver ferramentas de exploração em questão de horas.

Shane Fry, diretor de tecnologia da RunSafe Security, destacou a mudança no ritmo desse processo.

“O que está mudando de forma fundamental e incontestável é o tempo necessário tanto para encontrar vulnerabilidades quanto para que adversários consigam explorá-las”, afirmou.

Diante desse cenário, as equipes de segurança precisam lidar com desafios que vão além da identificação de erros no código:

  • Priorizar as falhas que representam maior risco para os sistemas.
  • Coordenar atualizações em diferentes programas e serviços.
  • Avaliar se as correções foram aplicadas corretamente.
  • Investigar sinais de invasão relacionados a vulnerabilidades recém-divulgadas.
Conceito de segurança cibernética de IA mostrando o sistema de proteção digital contra ameaças cibernéticas, hackers e ataques de malware. Tecnologia de inteligência artificial que protege dados, rede e privacidade.
Para especialistas, a descoberta acelerada de falhas também pode ajudar a corrigir problemas antigos. – Imagem: Mer_Studio/Shutterstock

Mais falhas significam mais ataques?

A redução do tempo de resposta preocupa os especialistas, mas não há consenso de que a descoberta acelerada de vulnerabilidades provocará uma onda de ataques bem-sucedidos.

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Daniel Stenberg, desenvolvedor principal da ferramenta de transferência de arquivos curl, observa que algumas falhas encontradas por modelos de IA são complexas e difíceis de explorar. Ramy Rahman, da empresa de segurança ArmorCode, também ressalta que a divulgação de mais vulnerabilidades não significa necessariamente um aumento de ataques bem-sucedidos.

O caso do PHP oferece um exemplo dessa diferença. A empresa de inteligência de ameaças Hunt.io identificou tentativas agressivas de exploração, mas informou que, até as 14h de quinta-feira, no horário da costa leste dos Estados Unidos, os criminosos monitorados aparentemente ainda não haviam conseguido desenvolver uma ferramenta funcional para aproveitar a falha.

Prince relatou indícios de invasões relacionadas à vulnerabilidade. Ainda assim, considera que a descoberta acelerada de problemas pode trazer benefícios no longo prazo, ao permitir a correção de falhas que permaneceram escondidas por anos.

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Valdir Antonelli

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

Olhar Digital

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