Uma pesquisa da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) aumentou em 39% o peso das tilápias ao longo de cinco gerações e oferece uma ferramenta para ampliar a eficiência de uma cadeia que produziu 533,7 mil toneladas no Brasil em 2025. Com matrizes já fornecidas a criadores de 11 estados, o melhoramento genético tem alcance além dos viveiros catarinenses e potencial para fortalecer tanto o abastecimento interno quanto as exportações, que renderam o equivalente a R$ 283 milhões no ano passado.
A produção nacional cresceu 5,4% no ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A tilápia respondeu por 68,2% dos peixes cultivados no país. O Paraná liderou, com 209,3 mil toneladas, seguido por São Paulo, com 68,4 mil, e Minas Gerais, com 62,3 mil.
No comércio exterior, foram embarcadas 12.592 toneladas de produtos de tilápia em 2025, conforme levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), elaborado com dados oficiais. A receita foi convertida para reais à taxa de R$ 5 por dólar.
O filé fresco ou refrigerado respondeu por 73% desse faturamento, cerca de R$ 205 milhões. O resultado mostra a importância do processamento para agregar valor à produção. O peso do peixe entregue ao frigorífico participa dessa conta, mas também importam o rendimento de filé, a qualidade e a regularidade do fornecimento.
Os volumes exportados não podem ser comparados diretamente à produção dos viveiros: o IBGE contabiliza peixes inteiros, enquanto os embarques incluem filés, animais inteiros e subprodutos. Ainda assim, a dimensão dos negócios externos mostra uma atividade muito mais voltada ao abastecimento brasileiro do que às exportações.
A pesquisa genética entra nessa cadeia antes da engorda. A Epagri seleciona os reprodutores e fornece matrizes a produtores de alevinos, que multiplicam os animais destinados às propriedades. Desde 2014, mais de 318 mil matrizes foram distribuídas a 56 produtores de alevinos de 11 estados.
O alcance econômico já estimado pela instituição é de R$ 15,8 milhões em Santa Catarina e no Paraná em 2025. O cálculo consta do Balanço Social da Epagri e considera sua participação no desenvolvimento da tecnologia. Trata-se de uma estimativa dos benefícios atribuídos ao melhoramento, não de receita com a venda de matrizes.
O potencial de expansão está na multiplicação dos ganhos ao longo das gerações e na chegada dos descendentes aos viveiros comerciais. Diferentemente de um equipamento instalado em uma única propriedade, uma linhagem selecionada pode abastecer diversos fornecedores de alevinos e, por meio deles, alcançar um número maior de criadores.
Isso não autoriza projetar aumento de 39% para toda a produção brasileira. O percentual divulgado é um resultado acumulado do programa de seleção. Seu aproveitamento depende das condições de criação, e não há uma estimativa nacional publicada que permita calcular quanto a tecnologia acrescentaria ao faturamento do setor.
O objetivo econômico é obter mais produto comercializável em relação aos recursos empregados. Para o piscicultor, isso significa acompanhar o crescimento do lote, a sobrevivência e a conversão alimentar — a quantidade de ração necessária para produzir um quilo de peixe.
A alimentação é decisiva. Relatório do Ministério da Fazenda aponta que a ração pode representar até 70% do custo da piscicultura, dependendo da espécie. Por isso, peixes mais pesados trazem vantagem quando o ganho obtido compensa o alimento, a energia e as demais despesas necessárias à criação.
O programa catarinense também trabalha a adaptação às condições locais. Os testes ocorrem em viveiros que atravessam meses frios, quando as tilápias comem menos e crescem mais lentamente. A seleção busca preservar desempenho nesse ambiente, sem dispensar o manejo adequado da água e da alimentação.
O mercado externo oferece oportunidades, mas exige competitividade e diversificação. Em 2025, os Estados Unidos concentraram aproximadamente 92% da receita brasileira com produtos de tilápia. A dependência de um comprador torna a cadeia sensível a mudanças comerciais, mesmo quando há avanço dentro das propriedades.













