A Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) divulgou a primeira imagem em close do asteroide Didymos, que integra um sistema binário investigado pela missão Hera. A fotografia foi registrada a aproximadamente 60 quilômetros do corpo celeste e revelou estruturas que podem ajudar cientistas a entender os efeitos de uma colisão provocada pela NASA em 2022.
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A imagem foi obtida pela câmera monocromática Asteroid Framing Camera, instalada na espaçonave europeia. Embora o registro mostre claramente o asteroide maior, sua pequena lua, Dimorphos, aparece parcialmente escondida pela sombra.
Didymos tem aproximadamente 780 metros de diâmetro, enquanto Dimorphos mede cerca de 151 metros. Os dois corpos estão separados por aproximadamente um quilômetro.
O destaque da fotografia está na superfície de Didymos. Além de uma elevação central que percorre sua região equatorial, já identificada em observações anteriores, os pesquisadores encontraram diversas rochas, crateras e estruturas que parecem formar padrões de sulcos ou cristas.
“Esta é a outra face de Didymos em relação àquela que a câmera da DART mostrou pouco antes do impacto. É como olhar para um mundo completamente novo”, afirmou Patrick Michel, pesquisador principal da missão Hera e diretor de pesquisa do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS).

Asteroide pode ter recebido material da colisão
- Uma das hipóteses investigadas pelos cientistas é que algumas das estruturas observadas em Didymos tenham relação com o material lançado ao espaço durante a colisão da missão DART, da NASA;
- Em 26 de setembro de 2022, a espaçonave Double Asteroid Redirection Test (DART) atingiu intencionalmente Dimorphos. A sonda pesava aproximadamente 580 quilos e colidiu com o asteroide a uma velocidade de 6,1 quilômetros por segundo;
- O experimento tinha como objetivo verificar se uma colisão controlada poderia alterar a trajetória de um asteroide. O resultado superou as expectativas: o período orbital de Dimorphos ao redor de Didymos foi reduzido em aproximadamente 33 minutos.
Segundo Michael Kueppers, cientista da missão Hera na ESA, uma quantidade significativa de material expelido pelo impacto pode ter atravessado a distância de aproximadamente um quilômetro entre os dois asteroides.
Por isso, os pesquisadores não descartam que algumas das características encontradas na superfície de Didymos tenham origem nesse transporte de material. A equipe pretende mapear sistematicamente as estruturas dos dois corpos para identificar possíveis alterações provocadas pela colisão.
Missão Hera vai investigar os efeitos do impacto
Lançada em outubro de 2024, a Hera foi desenvolvida para investigar de perto as consequências do experimento realizado pela NASA. A espaçonave percorreu aproximadamente dois anos até alcançar a região dos asteroides, que atualmente estão a cerca de 196,8 milhões de quilômetros da Terra.
A missão pretende transformar o experimento da DART em técnica de defesa planetária mais bem compreendida e potencialmente repetível. Para isso, a sonda vai analisar as características físicas dos asteroides, a região atingida e as mudanças provocadas pela colisão.
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O trabalho também deve ajudar a esclarecer por que a alteração na órbita de Dimorphos foi tão expressiva em comparação com as previsões anteriores.
A ESA informou que imagens detalhadas dos dois asteroides serão apresentadas em 25 de novembro. A expectativa é que os novos registros permitam observar com maior precisão as superfícies dos objetos e os possíveis efeitos do impacto.
Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.











