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A Apple anunciou nesta segunda-feira uma mudança histórica em sua liderança. O atual diretor-executivo da companhia, Tim Cook, deixará o cargo após quase 15 anos à frente da empresa e será substituído por John Ternus, atual chefe de engenharia de hardware.
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Cook, de 65 anos, assumirá a função de chairman executivo a partir de 1º de setembro, enquanto Ternus, de 50 anos, passará a ocupar o posto de CEO e também integrará o conselho de administração da empresa.

Segundo a Apple, Cook permanecerá no cargo de CEO durante o verão no hemisfério norte para conduzir uma transição gradual ao lado de seu sucessor. “Cook continuará em seu cargo de CEO durante o verão, trabalhando em estreita colaboração com Ternus para uma transição tranquila”, informou a empresa em comunicado.
A mudança marca a primeira transição de comando desde 2011, quando Cook assumiu a liderança da Apple no lugar de Steve Jobs, pouco antes do falecimento do fundador. Com a nomeação, Ternus se tornará o oitavo CEO da história da companhia.
Em declaração, Cook destacou sua trajetória à frente da empresa. “Foi o maior privilégio da minha vida ser o CEO da Apple e ter tido a confiança para liderar uma empresa tão extraordinária”, afirmou.
“Amo a Apple com todo o meu ser e sou muito grato por ter tido a oportunidade de trabalhar com uma equipe de pessoas tão engenhosas, inovadoras, criativas e profundamente atenciosas, que se mantiveram firmes em sua dedicação para enriquecer a vida de nossos clientes e criar os melhores produtos e serviços do mundo.”
Números da Apple sob a batuta de Cook
- A saída de Cook encerra um dos períodos de gestão mais bem-sucedidos da história empresarial estadunidense;
- Durante seu comando, o lucro anual da Apple quadruplicou, ultrapassando os US$ 108 bilhões (R$ 534,9 bilhões) em 2011 para chegar a mais de US$ 416 bilhões (R$ 2 trilhões) em 2025;
- Já o valor de mercado da companhia cresceu mais de dez vezes, indo de US$ 350 bilhões (R$ 1,7 trilhão) para cerca de US$ 4 trilhões (R$ 19,8 trilhões);
- Além dos resultados financeiros, Cook liderou a expansão da empresa para novas categorias de produtos, incluindo o mercado de dispositivos vestíveis, com o lançamento do Apple Watch e dos AirPods, além do headset de realidade virtual Vision Pro, lançado em 2024 e que enfrentou dificuldades para ganhar adoção no mercado;
- De acordo com documentos regulatórios recentes, Cook recebeu uma remuneração total de US$ 74,6 milhões (R$ 370,2 mihões) no último ano, incluindo salário-base de US$ 3 milhões (R$ 14,8 milhões) e compensações em ações;
- A revista Forbes estima seu patrimônio líquido em US$ 2,2 bilhões (R$ 10,9 bilhões).
Durante o Olhar Digital News desta segunda-feira (20), conversamos com Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação. Ele destacou o papel de Tim Cook no crescimento da Apple:
O Tim Cook é um, sem dúvidas, um dos maiores CEOs da história. Agora que a atuação chegará ao fim em setembro, podemos fazer esse balanço. É algo notável. É curioso que a reação do mercado é “como será com o John Ternus?”. Mas precisamos lembrar que o Tim Cook assumiu como um dos maiores desafios da história, que era suceder Steve Jobs. Muitos falavam que a Apple passaria por crises, mas o que aconteceu foi o contrários.
Arthur Igreja

E quem é John Ternus?
Seu sucessor, John Ternus, é vice-presidente sênior de engenharia de hardware e trabalha na Apple há cerca de 25 anos. Ele ingressou na companhia quatro anos após se formar em engenharia mecânica pela Universidade da Pensilvânia (EUA) e era amplamente apontado como o principal candidato à sucessão.
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À frente da área de hardware, Ternus supervisionou equipes responsáveis pelo desenvolvimento de produtos, como iPhone, iPad, Mac, Apple Watch, AirPods e Vision Pro.
“Sou profundamente grato por esta oportunidade de dar continuidade à missão da Apple”, disse Ternus.
“Tendo passado quase toda a minha carreira na Apple, tive a sorte de trabalhar com Steve Jobs e de ter Tim Cook como meu mentor. Foi um privilégio ajudar a moldar os produtos e as experiências que mudaram tanto a forma como interagimos com o mundo e uns com os outros. Estou cheio de otimismo em relação ao que podemos alcançar nos próximos anos e muito feliz por saber que as pessoas mais talentosas do mundo estão aqui na Apple, determinadas a fazer parte de algo maior do que qualquer um de nós. Sinto-me honrado em assumir este cargo e prometo liderar com os valores e a visão que definem este lugar especial há meio século.”
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A nova gestão assume a companhia em um momento de desafios, incluindo uma cadeia de suprimentos cada vez mais complexa, tensões geopolíticas, tarifas impostas durante o governo Donald Trump e escassez de memória RAM relacionadas à crescente demanda por chips de inteligência artificial.
Com a transição, a Apple busca manter a continuidade de sua estratégia enquanto se prepara para enfrentar um cenário global mais desafiador.
Quando uma empresa escolhe seu novo CEO, e espera-se que ele fique no cargo por bastante tempo, tem muito mais a ver com o perfil comportamental da pessoa e com a capacidade de liderança, de continuidade, de ter essa integração. Eu não espero nenhuma forma de ruptura estratégica. Claro que devemos ter mudanças no estilo, o que é natural. A Apple parece ter uma sucessão muito planejada, o nome dele já era esperado há algum tempo. O fato de liderar a divisão de hardware é mais secundário.
Podemos ter turbulência externas: mercado, cenário econômico, a questão dos chips (de memória)… Do ponto de vista de gestão, a Apple está fazendo tudo muito direitinho. Está mantendo o Tim Cook próximo para aconselhar, para ser um guia. E é claro, vamos ver (as mudanças) a partir de agora, dos lançamentos e das apresentações.
O desafio número 1 dele se chama inteligência artificial. A Apple continua sendo questionada e por isso perdeu o posto de empresa mais valiosa do mundo.
Arthur Igreja










