Vulcão Etna: cientistas desvendam mistério por trás de atividade incomum

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O Monte Etna, com mais de meio milhão de anos de idade, continua sendo o vulcão mais ativo da Europa, produzindo frequentemente várias erupções por ano.

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O estratovulcão de 3,4 mil metros localizado na Sicília intriga cientistas por liberar lavas alcalinas de forma mais prolífica do que deveria ser possível, considerando o tempo necessário para produzir lava alcalina rica em voláteis.

Apesar de seu extenso registro histórico e monitoramento moderno intensivo, nenhum processo geológico conhecido conseguia explicar completamente como o vulcão se formou ou de onde obtém todo o magma alcalino para suas erupções frequentes. Um novo estudo, publicado no Journal of Geophysical Research: Solid Earth, oferece pistas importantes sobre este enigma vulcanológico.

Mecanismo raro alimenta o Etna

  • O Etna é aparentemente alimentado por um mecanismo de magma raro, desconhecido até décadas recentes e tipicamente associado a pequenos vulcões submarinos, não a estratovulcões imponentes como o Etna;
  • As descobertas sugerem que o Etna se formou e funciona de maneira diferente da maioria dos outros vulcões, podendo ser “um lugar único na Terra” devido à forma incomum como libera magma aprisionado na zona de baixa velocidade do planeta;
  • Estas são descobertas valiosas para a vulcanologia em geral, especialmente para esforços de avaliação dos riscos específicos apresentados pelo Etna;
  • O vulcão paira perigosamente próximo às cidades de Catânia e Messina, no leste da Sicília, ambas abrigando centenas de milhares de pessoas.

Como vulcões tradicionalmente se formam

Vulcões se desenvolvem quando material do manto derrete em magma e ascende por meio da crosta até atingir a superfície e endurecer.

Isto tipicamente acontece de três maneiras: quando duas placas tectônicas se separam, permitindo que material do manto suba e derreta; em zonas de subducção, onde uma placa desliza sob outra e a água reduz o ponto de fusão do manto; ou através de hotspots no interior das placas tectônicas, onde material superaquecido do manto ascende à superfície.

A maioria dos vulcões da Terra se encaixa em uma dessas categorias, mas não o Monte Etna. É um estratovulcão localizado acima de uma zona de subducção, mas a composição química de sua lava assemelha-se à de vulcões de hotspot, apesar da ausência de hotspots conhecidos nas proximidades.

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Modelo tectônico para a evolução magmática ao redor da Sicília e a formação de magmas no Monte Etna
Modelo tectônico para a evolução magmática ao redor da Sicília e a formação de magmas no Monte Etna – Imagem: Pilet et al., J. of Geophys. Res. Solid Earth, 2026

Para compreender esta anomalia, os autores coletaram amostras do Etna que os ajudaram a reconstruir o perfil químico de sua lava ao longo dos últimos 500 mil anos. A lava do Etna mostrou uma composição surpreendentemente consistente durante toda sua história, mesmo em meio a mudanças tectônicas que poderiam facilmente influenciar vulcões locais.

Isto sugere que o Etna não funciona como vulcões tradicionais, cujas erupções tendem a apresentar magma recém-formado. Em vez disso, o Etna parece receber um suprimento lento de magma existente que ficou aprisionado entre o manto superior e a base das placas tectônicas cerca de 80 quilômetros abaixo da superfície.

Vulcão do tipo “petit-spot”

A formação de lava alcalina depende de um baixo grau de fusão parcial no manto para preservar conteúdos alcalinos, mas isto significa que grandes quantidades não podem se formar rapidamente.

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O Etna produz lava alcalina, contudo, devido à sua fonte única de magma. Conforme a Placa Africana subduz abaixo da Placa Eurasiana, magma alcalino de alguns desses bolsões do manto superior evidentemente ascende por meio de fissuras na crosta como água sendo espremida de uma esponja.

O Etna pode, portanto, ser um vulcão “petit-spot“, categoria identificada pela primeira vez em 2006 e caracterizada por magma extraído de bolsões no manto superior. Ainda é uma anomalia, porém, já que vulcões petit-spot tendem a ser diminutos, não enormes como o Etna.

“Nosso estudo sugere que o Etna pode ter se formado por meio de um mecanismo similar ao que gera vulcões submarinos petit-spot”, diz o autor principal, Sébastien Pilet, geocientista da Universidade de Lausanne (Suíça). “Isto é inesperado, pois tais processos haviam sido observados anteriormente apenas em estruturas vulcânicas muito pequenas, tipicamente não passando de algumas centenas de metros.”

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

Olhar Digital

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