O Brasil registrou sete casos de hantavírus em 2026, segundo dados do Ministério da Saúde obtidos pelo g1. Nenhum deles tem ligação com o genótipo Andes, variante associada ao surto recente em um cruzeiro que partiu da Argentina e à alta de casos no país vizinho.
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Em 2025, foram 35 casos no país. Os dois últimos registros foram confirmados nesta sexta-feira (8) pela Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa). Os pacientes são moradores de Pérola d’Oeste, no Sudoeste, e de Ponta Grossa, nos Campos Gerais.
Outros 11 casos seguem em investigação no estado, e 21 foram descartados. Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, o risco global de disseminação do hantavírus permanece baixo, conforme avaliação mais recente da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A pasta afirma que o surto no navio com histórico de circulação na América do Sul está sendo investigado, mas sem impacto direto no Brasil até o momento. No país, foram identificados nove genótipos de Orthohantavírus em roedores silvestres ao longo dos anos.
Nenhum dos casos humanos registrados em território brasileiro apresenta transmissão entre pessoas.

Sintomas e transmissão da doença
- O hantavírus causa uma doença chamada hantavirose;
- Em humanos, ela pode se manifestar como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH). A infecção em humanos pode levar a um comprometimento cardíaco;
- Entre os principais sintomas da doença estão fadiga, febre, dores musculares, dores de cabeça, tonturas, calafrios e problemas abdominais. Em quadros mais graves, pode levar a problemas pulmonares e cardiovasculares mais severos e característicos, podendo evoluir para a síndrome da angústia respiratória (SARA);
- Os hantavírus ficam em roedores silvestres, que podem eliminar o vírus pela urina, saliva e fezes. Os roedores podem carregar o vírus por toda a vida sem adoecer;
- A forma mais comum de um humano se infectar por hantavírus é pela inalação de aerossóis formados a partir da urina, fezes e saliva de roedores infectados;
- O vírus pode passar para humanos também por corte na pele causado por roedores, contato do vírus com mucosa (olhos, boca ou nariz), por meio de mãos contaminadas com excretas de roedores, e transmissão pessoa a pessoa, relatada na Argentina e Chile, associada ao hantavírus Andes.
Tratamento e cuidados
Não existe tratamento específico para infecções por hantavírus. De forma geral, há o combate dos sintomas, com medicamentos administrados por um médico especializado, segundo a gravidade de cada caso.
Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, por se tratar de uma doença com transmissão respiratória, profissionais que possam estar expostos devem utilizar equipamentos de proteção individual, como luvas, máscaras e óculos de proteção.
O CDC, dos EUA, recomenda cuidados para tratar os sintomas, que podem incluir oxigenoterapia, ventilação mecânica, medicamentos antivirais e até diálise. Pacientes com sintomas graves podem precisar ser internados em unidades de terapia intensiva. Em casos graves, alguns podem precisar ser intubados.
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Situação no cruzeiro
Seis dos oito casos suspeitos de hantavírus do cruzeiro foram confirmados até o momento, segundo a OMS. Três pessoas que estavam a bordo morreram. A entidade não especificou quais foram os casos confirmados da doença.
No início da semana, o órgão havia divulgado que o primeiro caso positivo era de um cidadão britânico de 69 anos que estava entre os passageiros. Ele foi encaminhado para uma UTI em Joanesburgo (África do Sul). O segundo caso confirmado foi de uma mulher alemã que morreu no cruzeiro.
O navio saiu da Argentina no início de abril e, dias depois, um passageiro morreu após contrair o vírus. Um casal holandês também morreu. A origem do contágio fora do navio, segundo autoridades, pode ser um voo em Joanesburgo.
“A ameaça à saúde pública em geral decorrente do surto permanece baixa“, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, em coletiva de imprensa na quinta-feira (7). Ele ainda disse que a OMS está ciente de relatos de outros pacientes e alertou que mais casos podem surgir nos próximos dias devido ao longo período de incubação do vírus.
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A diretora do Departamento de Prevenção e Preparo para Epidemias e Pandemias, Maria Van Kerkhove, também reforçou que se trata de uma situação totalmente diferente do coronavírus e que não se trata de uma nova epidemia.
“Isso não é o começo de uma nova pandemia de Covid-19, é um surto que aconteceu em um navio. Há uma área confinada, com cinco casos confirmados. […] O vírus não se espalha da mesma forma; na maioria das vezes, o hantavírus nem é transmitido de pessoa para pessoa.”

Monitoramento internacional
Um especialista da OMS está a bordo do navio e vai acompanhar os passageiros até a chegada em Tenerife, ilha na Espanha. O órgão também listou os países cujos cidadãos desembarcaram na ilha de Santa Helena: Canadá, Dinamarca, Alemanha, Holanda, Nova Zelândia, São Cristóvão e Nevis, Singapura, Suécia, Suíça, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos.
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A OMS notificou os países de origem dos passageiros para que os possíveis casos possam ser monitorados.
Pacientes na França, Holanda e em Singapura que não estiveram no cruzeiro MV Hondius, infectado com o hantavírus, estão sob investigação por suspeita da doença, segundo anunciaram os governos dos três países também na quinta.
São as primeiras suspeitas em pessoas que não estiveram no cruzeiro, onde o surto foi registrado. O governo de Singapura diz que duas pessoas foram isoladas. Elas estavam no voo com a viúva da primeira vítima morta no cruzeiro, segundo autoridades locais.
Na Holanda, uma comissária de bordo da companhia aérea holandesa KLM que teve contato com a viúva foi internada em um hospital em Amsterdã após apresentar possíveis sintomas de infecção por hantavírus. As autoridades sanitárias holandesas entraram em contato com todas as pessoas que também estavam no voo, segundo comunicado da KLM.
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O The New York Times afirmou também que três estados dos EUA — Califórnia, Geórgia e Arizona — monitoram pacientes com sintomas suspeitos do hantavírus. Um cidadão francês esteve em contato com uma pessoa que contraiu o vírus, mas atualmente não apresenta sintomas e está sendo monitorado, afirmou o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot.
O Adhanom afirmou que a OMS está “trabalhando com países relevantes” para tentar rastrear o vírus. “De acordo com o Regulamento Sanitário Internacional (RSI), a OMS está trabalhando com os países relevantes para apoiar o rastreamento internacional de contatos, garantindo que aqueles potencialmente expostos sejam monitorados e que qualquer disseminação adicional da doença seja limitada”.
Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.












