Samsung falha em acordo e greve ameaça produção de chips

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A Samsung e o sindicato que representa seus funcionários na Coreia do Sul não chegaram a um acordo salarial nesta quarta-feira (13). O impasse aumenta o risco de uma longa greve que pode afetar a produção de chips da companhia e gerar impactos na economia sul-coreana, cada vez mais dependente das exportações de semicondutores.

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O fracasso nas negociações ocorreu após discussões mediadas pelo governo na segunda-feira (11) e terça-feira (12). O sindicato planeja uma greve de 18 dias a partir de 21 de maio caso as reivindicações não sejam atendidas. A principal queixa envolve a diferença nos bônus pagos pela Samsung em comparação com a rival SK Hynix.

chip da samsung
Possível greve deve afetar a produção de chips da Samsung – Imagem: g0d4ather / Shutterstock

Mais de 50 mil trabalhadores podem aderir à paralisação

O sindicato informou que mais de 50 mil trabalhadores podem participar da greve. Segundo a Reuters, a paralisação pode atrasar entregas para clientes, elevar ainda mais os preços dos chips e favorecer concorrentes da Samsung.

O representante sindical Choi Seung-ho afirmou que a empresa propôs apenas um “pagamento único de desempenho” para 2026 e rejeitou a demanda por mudanças permanentes no sistema de remuneração. Entre as reivindicações do sindicato estão o fim do teto para bônus, atualmente limitado a 50% do salário-base anual, além da destinação de 15% do lucro operacional anual para bônus e mais transparência no cálculo dos pagamentos.

Choi também afirmou que o sindicato não pretende retomar as negociações antes da data marcada para a greve, mas disse que avaliaria “uma proposta adequada” caso a Samsung apresente uma nova oferta.

Governo convoca reunião de emergência

A Samsung lamentou o fracasso das negociações e afirmou que continuará mantendo um “diálogo sincero” com o sindicato para evitar o que chamou de “pior cenário possível”.

O governo sul-coreano convocou uma reunião de emergência com ministros ligados ao tema. O primeiro-ministro Kim Min-seok orientou o governo a acompanhar a situação de perto “considerando a gravidade do impacto sobre a economia nacional”. Ele também pediu “apoio proativo para garantir que o diálogo entre o sindicato e a administração possa continuar, para que isso não leve a uma greve em nenhuma circunstância”.

A Comissão Nacional de Relações Trabalhistas, responsável pela mediação, afirmou ter apresentado diferentes alternativas, mas encerrou as discussões “devido à grande diferença entre as posições das duas partes e ao pedido do sindicato para suspender as negociações”.

Semicondutores representam 37% das exportações

A economia da Coreia do Sul se tornou mais dependente das exportações de chips nos últimos meses. Segundo dados do governo, os semicondutores representaram 37% das exportações do país em abril, acima dos 20% registrados um ano antes.

A tensão também levantou especulações sobre a possibilidade de o governo recorrer a uma arbitragem emergencial, mecanismo que pode suspender ações trabalhistas por 30 dias enquanto ocorre mediação e arbitragem. O ministro do Trabalho, Kim Young-hoon, afirmou nesta quarta-feira que a disputa deve ser resolvida por meio do diálogo.

Ana Luiza Figueiredo

Ana Luiza Figueiredo

Ana Figueiredo é repórter de tecnologia do Olhar Digital. É formada em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

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