Um estudo publicado na revista Physical Review Letters revelou um avanço importante na busca pela energia de fusão nuclear, considerada uma das tecnologias mais promissoras para gerar eletricidade limpa no futuro.
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Pesquisadores chineses desenvolveram uma nova forma de controlar o plasma dentro de um reator experimental, reduzindo riscos de danos ao equipamento e melhorando a estabilidade do sistema.
Em resumo:
- Estudo avança controle do plasma para futura energia de fusão nuclear;
- Técnica chinesa reduziu calor extremo e protegeu componentes do reator;
- Fusão nuclear imita o Sol usando plasma superaquecido e magnetismo;
- Método eliminou erupções perigosas chamadas ELMs durante os experimentos;
- Resultado aproxima reatores contínuos, eficientes e estáveis para gerar eletricidade limpa.
A fusão nuclear tenta reproduzir na Terra o mesmo processo que acontece no interior do Sol. Nesse tipo de reação, núcleos atômicos se unem e liberam enormes quantidades de energia. Para que isso aconteça, o combustível precisa ser aquecido a temperaturas extremas, superiores às encontradas na superfície solar, formando um plasma, um gás eletricamente carregado extremamente quente.

Manter plasma estável é o grande desafio da fusão nuclear
O grande desafio é manter esse plasma estável por tempo suficiente para produzir energia de maneira contínua. Como ele alcança temperaturas altíssimas, não pode tocar diretamente as paredes do reator. Por isso, cientistas usam campos magnéticos poderosos para manter o plasma suspenso dentro da máquina, sem contato físico com a estrutura.
Mesmo assim, a borda do plasma continua sendo um problema. Em muitos casos, ela libera rajadas repentinas de calor e partículas que podem atingir as paredes internas do reator e causar danos severos. Além disso, o sistema responsável por eliminar o excesso de calor, chamado divertor, precisa suportar temperaturas comparáveis às enfrentadas por uma nave espacial ao entrar na atmosfera terrestre.
A nova pesquisa foi conduzida por uma equipe liderada pelo professor Guosheng Xu, do Instituto de Física de Plasma, ligado à Academia Chinesa de Ciências. Os testes ocorreram no EAST, um tokamak experimental chinês criado para estudar a fusão nuclear. Tokamaks são dispositivos em formato de anel que usam campos magnéticos para aprisionar o plasma.
Durante o experimento, os cientistas utilizaram uma técnica baseada na injeção controlada de pequenas quantidades de gases leves dentro do plasma. O objetivo era resfriar parcialmente a região do divertor sem prejudicar o desempenho geral do reator. Esse equilíbrio é considerado extremamente difícil de alcançar em sistemas de fusão.

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Método equilibra estabilidade do plasma, controle térmico e eficiência energética
Segundo os pesquisadores, o método conseguiu reduzir significativamente o calor que atingia as placas do divertor. Ao mesmo tempo, eliminou completamente fenômenos chamados ELMs, sigla em inglês para “modos localizados na borda”. Essas explosões funcionam de maneira parecida com erupções solares e representam uma das maiores ameaças à estabilidade dos reatores de fusão.
Os ELMs costumam aparecer em plasmas de alto confinamento, conhecidos como modo H. Esse modo é importante porque permite armazenar mais energia no plasma, aumentando a eficiência da fusão. O problema é que essas erupções podem liberar energia de forma violenta e danificar os componentes internos do equipamento.
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A equipe chinesa chamou o novo método de regime DTP, sigla para um sistema que combina divertor parcialmente destacado e controle por turbulência. Com ajustes feitos em tempo real, os pesquisadores conseguiram manter o plasma estável por cerca de um minuto em um ambiente com paredes metálicas, algo considerado um resultado importante para experimentos desse tipo.
Outro ponto importante é que o método aumentou a temperatura eletrônica na borda do plasma, melhorando o confinamento de energia. Isso ocorreu porque a técnica favoreceu a formação de microturbulências que ajudam a transportar calor e partículas de maneira mais controlada, evitando o acúmulo excessivo de pressão.
Para os cientistas, o resultado representa um passo relevante rumo ao desenvolvimento de reatores de fusão capazes de operar continuamente no futuro. Embora ainda existam muitos desafios tecnológicos antes da produção comercial de energia de fusão, o estudo mostra que pode ser possível equilibrar estabilidade do plasma, controle térmico e eficiência energética ao mesmo tempo.











