Cannes recebe filme criado inteiramente por IA

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O longa-metragem Hell Grind, produzido inteiramente com inteligência artificial, estreou nesta quinta-feira no Festival de Cannes. Segundo a startup Higgsfield AI, responsável pelo projeto, o filme de 95 minutos custou US$ 500 mil para ser produzido, sendo que US$ 400 mil foram destinados aos custos computacionais usados na geração das cenas.

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A empresa, sediada em San Francisco e fundada há três anos, levou apenas duas semanas para concluir o projeto. O filme acompanha quatro ladrões de rua em uma jornada rumo ao inferno, enquanto o protagonista Roco atravessa um cenário distópico para salvar Lulu, sua parceira e interesse amoroso.

Debate sobre IA no cinema

A estreia de “Hell Grind” acontece em um momento em que o uso de inteligência artificial continua no centro das discussões em Cannes. Nos últimos anos, o festival tem reunido debates sobre até que ponto ferramentas de IA podem substituir etapas da produção cinematográfica, incluindo roteiro, atuação, direção, edição e efeitos visuais.

Segundo participantes do evento, o clima neste ano mudou de um receio mais intenso para uma postura de aceitação cautelosa. Durante uma coletiva de imprensa no festival, a atriz Demi Moore afirmou que profissionais do setor precisam encontrar maneiras de trabalhar com a tecnologia. “A IA está aqui. E lutar contra isso é lutar uma batalha que vamos perder”, disse.

Para a Higgsfield, o filme também funciona como uma demonstração da capacidade de suas ferramentas para estúdios de Hollywood. A empresa não desenvolve os modelos de geração de vídeo usados no projeto, recorrendo a tecnologias já existentes, como o Veo 3, do Google. O foco da startup está nas ferramentas usadas para manter consistência visual entre as diferentes gerações de imagem.

Processo exigiu milhares de gerações de vídeo

De acordo com Adil Alimzhanov, líder de conteúdo da Higgsfield e integrante da equipe do filme, cada prompt gerava cerca de 15 segundos de vídeo. Essas sequências precisavam ser refeitas diversas vezes até chegar ao resultado desejado.

Os primeiros 25 minutos do longa exigiram 16.181 gerações iniciais de vídeo, que resultaram em 253 tomadas finais. Um dos principais desafios foi manter a consistência visual ao longo do filme, já que modelos de IA podem produzir resultados muito diferentes entre uma cena e outra.

Por isso, os prompts utilizados eram longos e detalhados, com média de 3 mil palavras. As instruções incluíam definições sobre estilo visual, iluminação, tipo de lente e até orientações para respeitar leis da física, como gravidade e peso dos objetos.

Segundo Alimzhanov, a equipe descartou centenas de vídeos durante o processo por pequenos problemas visuais ou movimentos considerados inadequados. “Você não pode entrar na IA e pedir para ela fazer um vídeo legal de 95 minutos”, afirmou.

Ana Luiza Figueiredo

Ana Luiza Figueiredo

Ana Figueiredo é repórter de tecnologia do Olhar Digital. É formada em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

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