Explosão de foguete da Blue Origin deixa marcas visíveis do espaço

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A explosão de um foguete New Glenn durante um teste de abastecimento da Blue Origin causou danos significativos à infraestrutura da empresa na Flórida, nos Estados Unidos. O incidente ocorreu em 28 de maio, no complexo de lançamento LC-36, localizado na Cape Canaveral Space Force Station, e pode impactar o cronograma de missões ligadas ao programa Artemis, da NASA.

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Segundo informações divulgadas após o acidente, a empresa realizava um teste de combustível em preparação para a quarta missão do New Glenn quando um evento ainda não identificado levou à destruição total do veículo. Não houve feridos, mas a ocorrência afetou a única plataforma da Blue Origin capaz de operar um foguete do porte do New Glenn.

Vista geral de satélite do complexo LC-36 em 31 de maio de 2026, com áreas queimadas visíveis ao redor da plataforma de lançamento
Imagem de satélite mostra o complexo LC-36 da Blue Origin cercado por vegetação e áreas atingidas pela explosão – Imagem: SpaceFromSpace / © 2026 Planet Labs PBC

Danos podem ser observados por satélites

A extensão dos estragos foi registrada por imagens de satélite captadas pelo SkySat-C9, da Planet Labs, e processadas pela Spacefromspace. Os registros mostram áreas de vegetação queimadas em praticamente todas as direções ao redor da plataforma, que possui cerca de um quilômetro de diâmetro.

Além das áreas atingidas pelo fogo, as imagens revelam danos visíveis em estruturas essenciais do complexo, incluindo a torre de lançamento, a vala de exaustão e outros sistemas de suporte. O LC-36 é arrendado pela Blue Origin e representa um ativo estratégico para os planos espaciais da companhia.

Vista de satélite do complexo de lançamento LC-36 após a explosão do foguete New Glenn, registrada em 31 de maio de 2026.
Imagem de satélite mostra danos na torre de lançamento e em estruturas do complexo LC-36 da Blue Origin após explosão – Imagem: SpaceFromSpace / © 2026 Planet Labs PBC

A empresa ainda não divulgou uma avaliação completa dos prejuízos nem um cronograma oficial para a recuperação da instalação.

Recuperação da plataforma já está em planejamento

Em publicação feita na rede social X em 31 de maio, o CEO da Blue Origin, Dave Limp, afirmou que a companhia iniciará em breve os trabalhos de limpeza da área e que um plano de reconstrução está sendo elaborado.

No dia anterior, Limp e o fundador da empresa, Jeff Bezos, visitaram o local ao lado do administrador da NASA, Jared Isaacman. Segundo Isaacman, a agência dará suporte às investigações sobre as causas da explosão.

Após a visita, Bezos também comentou o episódio em uma mensagem publicada no X. O executivo agradeceu o apoio da NASA e reafirmou a intenção da companhia de retomar as operações e seguir com seus objetivos lunares.

Logo da Blue Origin em um smartphone ao lado de uma imagem de um foguete
Blue Origin trabalha na limpeza e reconstrução da área afetada pela explosão – Imagem: T. Schneider/Shutterstock

Impacto pode atingir missões da NASA

O acidente representa um desafio para os planos da Blue Origin relacionados ao programa Artemis. O foguete New Glenn é uma das plataformas consideradas pela NASA para futuras missões de exploração lunar, enquanto o módulo de pouso Blue Moon é um dos dois veículos contratados pela agência para levar cargas e, futuramente, astronautas à superfície da Lua. O outro é a Starship, da SpaceX.

Antes da explosão, a Blue Origin planejava lançar ainda neste segundo semestre a primeira missão do Blue Moon Mark 1 (MK1), versão de carga do veículo que dará origem ao futuro modelo tripulado MK2. A missão deveria transportar equipamentos da NASA para a superfície lunar como parte da fase Moon Base 1.

Com o LC-36 fora de operação, a expectativa é que esse cronograma sofra atrasos de vários meses. Isso pode afetar etapas futuras do programa Artemis, incluindo os preparativos para operações de encontro e acoplamento entre veículos lunares e a cápsula Orion.

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Casos semelhantes já causaram longas paralisações

Acidentes desse tipo já provocaram interrupções prolongadas em outras empresas do setor espacial. Em 2014, a explosão de um foguete Antares danificou sua plataforma de lançamento, e as instalações afetadas só voltaram a operar quase dois anos depois.

Situação semelhante ocorreu com a SpaceX em setembro de 2016, quando um Falcon 9 explodiu durante um teste estático no Complexo de Lançamento 40, também em Cabo Canaveral. Na ocasião, a empresa levou pouco mais de um ano para restaurar a estrutura e retomar os lançamentos no local.

Até o momento, a Blue Origin não informou quanto tempo será necessário para reconstruir o LC-36 nem apresentou uma estimativa oficial para a retomada das operações.

Ana Luiza Figueiredo

Ana Luiza Figueiredo

Ana Figueiredo é repórter de tecnologia do Olhar Digital. É formada em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

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