Nesta quarta-feira (3), a NASA anunciou o fim das operações da sonda MAVEN, uma das missões mais importantes já enviadas para estudar Marte. Após vários meses tentando restabelecer contato com a espaçonave, a agência concluiu que ela não poderá mais operar.
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Conforme noticiado pelo Olhar Digital, a comunicação da sonda com a Rede de Espaço Profundo (DSN) da NASA foi interrompida em 6 de dezembro, quando o veículo passou por trás de Marte em relação à Terra – uma manobra comum durante toda a missão.

Quando reapareceu do outro lado do planeta, os dados recebidos indicaram um problema grave. Segundo a agência, a sonda entrou em modo de segurança e começou a girar de forma descontrolada. Esse comportamento comprometeu a geração de energia pelos painéis solares, levando à perda de funcionamento do equipamento. Desde então, diversas tentativas de restabelecer a comunicação foram realizadas, mas nenhuma obteve sucesso. A causa exata da falha ainda está sendo investigada.
O encerramento da missão marca o fim de mais uma década de descobertas científicas. A MAVEN foi lançada em novembro de 2013 a bordo de um foguete Atlas V e chegou à órbita marciana cerca de dez meses depois. Embora sua missão inicial tivesse duração prevista de apenas um ano terrestre, a sonda permaneceu ativa por quase 12 anos.
Com a perda da MAVEN, restam apenas duas espaçonaves da NASA em operação ao redor de Marte: a Mars Odyssey, lançada em 2001, e a Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), enviada em 2005. Ambas continuam funcionando muito além do tempo originalmente planejado.
Sonda MAVEN era repetidor de sinal em Marte
Além de suas pesquisas científicas, a MAVEN também desempenhava um papel importante como retransmissora de comunicações. Ela ajudava a enviar dados coletados por veículos que exploram a superfície marciana – função exercida também pela Odyssey e a MRO, além das sondas europeias Mars Express e Trace Gas Orbiter (TGO).
A principal missão da MAVEN era investigar a atmosfera de Marte e compreender como ela mudou ao longo de bilhões de anos. A sonda foi a primeira equipada especificamente para analisar a interação entre a atmosfera marciana e o vento solar, fluxo contínuo de partículas carregadas emitidas pelo Sol.
As observações mostraram que Marte perde parte de sua atmosfera constantemente. Essa perda varia conforme a posição do planeta em sua órbita e se torna mais intensa durante períodos de forte atividade solar. Como Marte não possui um campo magnético global capaz de protegê-lo, o vento solar atinge diretamente suas camadas atmosféricas.

Os cientistas acreditam que esse processo foi fundamental para transformar Marte. No passado distante, o planeta possuía condições mais favoráveis à presença de água líquida. Com o enfraquecimento gradual de sua atmosfera, ele acabou se tornando o ambiente frio e árido observado atualmente.
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Missão descobriu erosão de atmosfera marciana
A missão também revelou que tempestades solares podem aumentar drasticamente a velocidade dessa erosão atmosférica. Em alguns eventos analisados, a taxa de perda chegou a ser entre 10 e 20 vezes maior do que em períodos normais.
Outro destaque foi o estudo das auroras marcianas. Diferentemente das auroras terrestres, concentradas principalmente nas regiões polares, as de Marte podem surgir em áreas muito mais amplas. A MAVEN detectou inclusive emissões aurorais ultravioletas durante o dia marciano, algo impossível de ser observado a olho nu.
Vale destacar ainda que, em 2017, a sonda registrou pela primeira vez íons metálicos na ionosfera de Marte, fenômeno nunca observado anteriormente em outro planeta. Mais recentemente, também participou de observações do cometa interestelar 3I/ATLAS e identificou possíveis sinais de relâmpagos no lado noturno marciano.
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Segundo a NASA, os dados coletados pela MAVEN continuarão sendo analisados por muitos anos. As informações obtidas ajudam a compreender a evolução de Marte e também serão fundamentais para o planejamento de futuras missões tripuladas, incluindo estratégias de proteção contra radiação para astronautas que possam visitar o planeta no futuro.











