Tudo sobre Elon Musk
Elon Musk, empresário que se tornou uma figura central da cultura da internet e uma presença constante no imaginário popular, alcançou um novo marco em sua trajetória financeira com o IPO da SpaceX.
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A estreia da companhia em bolsa, nesta quinta-feira (11), levantou um recorde de US$ 75 bilhões (R$ 383,6 bilhões) e colocou o patrimônio do bilionário em um novo patamar, em meio a um cenário de preocupação crescente com a desigualdade e de desgaste na imagem pública dos super-ricos.
Segundo cálculos da Forbes e da Reuters com base em documentos da empresa, Musk tinha, antes da oferta pública (IPO, na sigla em inglês), uma fortuna estimada em cerca de US$ 780 bilhões (R$ 4 trilhões), bem à frente do segundo colocado, Larry Page, cofundador do Google. Depois do início da negociação das ações, previsto para sexta-feira (12), seu patrimônio líquido deve ultrapassar US$ 1,1 trilhão (R$ 5,6 trilhões).
“A segunda pessoa mais rica do mundo tem mantido um patrimônio em torno de US$ 300 bilhões [R$ 1,5 trilhão], o que representa menos de um terço do que Musk poderá potencialmente valer amanhã,” disse à Reuters Matt Durot, editor-adjunto da Forbes Wealth. “E apenas uma outra pessoa, [o fundador da Oracle,] Larry Ellison, já teve um patrimônio líquido de US$ 400 bilhões [R$ 2 trilhões]”.
A maior parte da riqueza de Musk agora está concentrada na SpaceX, onde ele detém uma participação avaliada em cerca de US$ 866 bilhões (R$ 4,4 trilhões). Junto da Tesla e de outros ativos, a fortuna do empresário ganhou dimensão inédita com a valorização impulsionada pela empresa aeroespacial.
Musk é o primeiro trilionário
- Apesar das críticas ao estilo de liderança e ao peso político que passou a exercer, Musk manteve uma base fiel de admiradores;
- Para seus defensores, a postura sem filtros faz parte do apelo do empresário. Já os críticos o acusam de concentrar poder de forma semelhante à de oligarcas, questionam a governança de suas companhias e reprovam suas intervenções políticas cada vez mais partidárias;
- Musk ficou conhecido inicialmente por meio da Tesla e da SpaceX, mas ampliou sua influência com a compra do Twitter por US$ 44 bilhões (R$ 225 bilhões), em 2022;
- A aquisição lhe deu um canal direto com centenas de milhões de usuários e o transformou em uma voz influente em temas, como política, imigração, gastos públicos e liberdade de expressão.
Sua entrada mais profunda na política, especialmente o papel que desempenhou no Departamento de Eficiência Governamental (DOGE, na sigla em inglês) do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no ano passado, esteve entre seus movimentos mais controversos.
O desgaste político coincidiu com a fraqueza das vendas da Tesla em vários mercados internacionais em 2025, em meio a protestos e boicotes de consumidores contra a fabricante de veículos elétricos.
Nascido em Pretória (África do Sul), com 54 anos atualmente, Musk é filho de mãe canadense e pai sul-africano. Ele estudou na Universidade da Pensilvânia e se formou em 1997. Assumiu o comando da Tesla como CEO em 2008, convencido de que os veículos elétricos poderiam unir alto desempenho e recursos orientados por software, ajudando a redefinir a indústria automotiva global.
Alguns analistas do setor automotivo afirmam que o sucesso da Tesla — e seu valor de mercado acima de US$ 1 trilhão (R$ 5,1 trilhões) — ajudou as montadoras tradicionais a acelerar a migração para os carros elétricos.
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Musk também é visto por investidores como alguém capaz de repetir esse feito em áreas, como o espaço e a inteligência artificial (IA). Ainda assim, a SpaceX continua dependente de capital e boa parte de sua avaliação está apoiada em tecnologias que podem levar anos, ou, até, décadas, para se tornarem comercialmente viáveis.
Além da Tesla e da SpaceX, Musk fundou mais cinco empresas, entre elas a startup de túneis The Boring Company e a Neuralink, fabricante de implantes cerebrais.
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Revolução na Tesla
Como CEO da Tesla, Musk acumulou controvérsias e elogios em igual medida. Ele é creditado por transformar a empresa na montadora mais valiosa do mundo. Durante anos, executivos das montadoras tradicionais minimizaram o risco representado pela empresa nascente, céticos de que uma startup conseguiria produzir veículos elétricos em escala e com lucro.
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“Ele renovou o respeito mundial pela engenhosidade estadunidense na engenharia automotiva”, disse Bob Lutz, ex-vice-presidente da General Motors (GM).
Ao mesmo tempo, a Tesla enfrentou disputas judiciais e preocupações de acionistas ligadas ao seu chefe mais conhecido, especialmente em relação ao pacote de remuneração de 2018, que já chegou a ser avaliado em US$ 56 bilhões (R$ 286,4 bilhões).
A influência de Musk se espalhou a ponto de observadores do mercado passarem a chamar o conjunto de empresas ao redor dele de “Muskonomy”. O fenômeno também deu origem ao chamado “Elon premium”, expressão usada para definir um prêmio de avaliação sustentado tanto pela confiança na visão de Musk quanto por métricas financeiras tradicionais.
“Assim como a Tesla, a SpaceX é uma aposta em Elon Musk”, disse Matt Kennedy, estrategista sênior da Renaissance Capital, empresa de pesquisa e fundos voltada a IPOs. “Uma capitalização de mercado entre US$ 1,5 trilhão e US$ 2 trilhões [R$ 7,7 trilhões/R$ 10,2 trilhões] certamente descartaria todas as metodologias tradicionais de avaliação e, em vez disso, seria melhor caracterizada como o ‘prêmio Elon Musk’”.
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A concentração de influência em torno de um único empreendedor ampliou preocupações sobre governança corporativa, conflitos de interesse e os riscos de vincular o destino das empresas tão fortemente a uma só pessoa.
Ao longo dos anos, Musk transformou embates com reguladores, bilionários, vendidos a descoberto, jornalistas e organizações de mídia, em batalhas públicas recorrentes, muitas vezes travadas nas redes sociais.
Sua aliança com Trump seguiu um padrão conhecido. Depois de ajudar a bancar o retorno do republicano à Casa Branca e atuar como conselheiro sênior por meio da iniciativa DOGE do governo, Musk se tornou um dos aliados corporativos mais próximos do presidente.
A relação acabou se deteriorando em meio a divergências sobre políticas e gastos, abrindo uma guerra pública. Embora os dois tenham adotado um tom mais conciliador desde então, o desentendimento expôs ainda mais a linha cada vez menos nítida entre o império empresarial de Musk e suas ambições políticas.
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Ainda assim, para muitos investidores, as preocupações com o comportamento pouco convencional do empresário pesam menos do que seu histórico de transformar ideias ambiciosas em algumas das companhias mais valiosas do planeta.
“Elon é o Edison da nossa era”, disse Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, em uma conversa recente com Musk. Dimon, que já foi adversário de Musk em uma longa batalha judicial, hoje diz admirá-lo. Em entrevista à CNBC no ano passado, afirmou que os dois “se abraçaram” e chamou Musk de “nosso Einstein”.
Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.








