Tudo sobre Inteligência Artificial
Quem só pede respostas à inteligência artificial já entrou em fase de desconto estratégico. O valor migrou para quem constrói com IA. Em 2026, a inteligência artificial deixa de ser vitrine de produtividade individual e passa a operar como arquitetura de execução. Surge uma designação para profissionais que atuam em empresas de todos os portes e segmentos econômicos: o artesão de IA. É um termo que define alguém que constrói projetos usando dados e APIs como matéria-prima.
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Uma pessoa que domina o funcionamento dos algoritmos, entende limitações técnicas. Sabe fine-tuning, integração de sistemas, iteração constante. Trabalha com intencionalidade criativa.
Um profissional que usa tecnologia como matéria-prima, combina modelos de linguagem (LLMs) e critério de negócio. Alguém que transforma problemas em sistemas de trabalho. A empresa que enxergar esse perfil de profissional com antecedência terá vantagem competitiva. A que o tratar como usuário habilidoso vai terceirizar parte do próprio futuro.
A palavra artesão tem aqui sentido técnico e cultural. O artesão tradicional conhece a madeira, a argila, a lâmina, o ponto exato de pressão. O artesão de IA conhece dados, modelos, automação, custo, privacidade e risco. Existe uma diferença fundamental entre artesão de IA e usuário comum de inteligência artificial. O usuário comum pede ao chatbot “escreva um plano comercial”. Recebe texto genérico. Copia. Cola. Usa.
O artesão de IA desenvolve um agente autônomo que analisa dados de vendas internos, padrões de consumo e tendências de mercado. Usuário comum consome tecnologia disponível. O artesão cria soluções que não existiam antes. Usuário não entende limitações técnicas. Artesão compreende arquitetura, custos, escalabilidade e riscos. Usuário obtém resultado genérico repetível por qualquer pessoa. Artesão produz solução única com assinatura criativa do construtor.
Já vemos casos reais diariamente no Brasil. Um analista de dados em um banco paulista criou um agente de IA para automatizar relatórios executivos. Reduziu de 8 horas para 15 minutos a produção de dashboards para diretoria. Um desenvolvedor de startups construiu MVP (sigla em inglês para Produto Mínimo Viável) de plataforma de atendimento ao cliente ao usar IA generativa como core. Integrou APIs de múltiplos provedores e criou camada de segurança própria.
Um educador de instituição de ensino superior projetou um tutor inteligente personalizado que adapta conteúdo pedagógico ao ritmo de aprendizado de cada aluno. Reduziu a taxa de evasão em 23%. Um consultor jurídico criou um sistema de IA para análise automática de contratos: identifica cláusulas de risco em segundos – tarefa que antes demandava horas de revisão manual.
Todos esses profissionais são artesãos de IA. Não apenas usam tecnologia. Constroem com tecnologia como matéria-prima central.
O ano de 2026 será decisivo para essa categoria. Definitivamente, um ano pivotal para a inteligência artificial. A transição de modelos para sistemas com múltiplos agentes já começou. Estudos indicam que, até 2028, 15% das decisões diárias no trabalho serão tomadas autonomamente por IA agêntica, contra 0% em 2024. Cerca de 33% das aplicações de software corporativas incluirão essa tecnologia até 2028, versus menos de 1% em 2024. Até o final de 2026, 40% das aplicações empresariais terão agentes de inteligência artificial para tarefas específicas com verdadeiros recursos de IA agêntica.
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Dois fatores convergem. Primeiro: maturidade das ferramentas. Agentic PCs com até 128GB de memória unificada e 40 TOPS de performance permitem construir soluções complexas sem infraestrutura massiva de data centers. Segundo: disponibilidade de conhecimento. Cursos, documentações, comunidades open-source e casos de uso proliferam. A democratização do saber-fazer necessário está em curso.
Executivos deveriam procurar esses artesãos de IA dentro das áreas de negócio e não só em tecnologia. Eles aparecem no analista que automatiza relatórios com rastreabilidade, na pessoa de operações que cria fluxo de triagem com auditoria, no especialista comercial que conecta IA ao relacionamento com clientes, no jurídico que testa análise contratual com critérios explícitos. O nome do cargo importa menos que a postura. Curiosidade técnica, documentação, ética e obsessão por valor mensurável formam o verdadeiro currículo.
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A ressalva é dura. Mais de 40% dos projetos de IA agêntica serão cancelados até o fim de 2027 por custos crescentes, valor de negócio pouco claro ou controles de risco inadequados. Agente sem dono, métrica e controle vira passivo técnico com boa aparência. Por isso, valorizar artesãos de IA exige tempo protegido para protótipos, acesso seguro a dados, arquitetura aprovada, revisão jurídica, mentoria e reconhecimento público.
O artesão de IA representa a materialização humana da transformação digital. Ele amplia a empresa sem apagar pessoas. Ele traduz modelos em decisões úteis, automações em vantagem e dados em ação governada. Em 2026, o atraso terá aparência respeitável. Virá com comitês, apresentações impecáveis e compras de software bem justificadas. A liderança estará nas empresas que perceberem o essencial antes das demais. A inteligência artificial premiará quem souber construir com ela, assumir responsabilidade pelo que constrói e transformar esse ofício em vantagem impossível de copiar.
Norberto Maraschin Filho
Vice-presidente de Negócios de Consumo e Mobilidade da Positivo Tecnologia











