Intel supera expectativas e tem maior crescimento em 15 anos

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A Intel divulgou, nesta quinta-feira (23), resultados do segundo trimestre acima das expectativas do mercado, registrando seu maior ritmo de crescimento de receita para um trimestre desde 2011. O desempenho foi impulsionado pela forte demanda por infraestrutura de inteligência artificial (IA), que tem elevado as vendas de processadores para servidores.

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Após a divulgação do balanço, as ações da fabricante de chips avançaram 11% nas negociações após o fechamento do mercado.

Resultados superam previsões dos analistas

  • A Intel reportou lucro ajustado por ação de US$ 0,42 (R$ 2,14), acima da expectativa de US$ 0,21 (R$ 1,07) apontada pelo consenso da LSEG;
  • A receita alcançou US$ 16,1 bilhões (R$ 82,1 bilhões), superando a projeção dos analistas, que esperavam US$ 14,4 bilhões (R$ 73,5 bilhões);
  • A companhia também apresentou projeções para o trimestre atual acima das estimativas do mercado. A empresa espera lucro ajustado de US$ 0,38 (R$ 1,94) por ação e receita entre US$ 15,8 bilhões e US$ 16,8 bilhões (R$ 80,6 bilhões/R$ 85,6 bilhões);
  • Segundo a LSEG, os analistas projetavam receita de US$ 15,1 bilhões (R$ 77 bilhões) e lucro de US$ 0,27 (R$ 1,38) por ação.

Demanda por IA impulsiona crescimento

A Intel afirmou que o avanço da IA tem impulsionado a procura por capacidade computacional, favorecendo principalmente as vendas de processadores para servidores. O crescimento de 25% na receita foi o maior registrado pela empresa em qualquer trimestre desde o terceiro trimestre de 2011.

Em comunicado, o CEO Lip-Bu Tan destacou o papel da IA na expansão dos negócios. “A IA está impulsionando uma demanda sem precedentes por capacidade computacional. À medida que continuamos executando nossa estratégia, a Intel está bem posicionada para capturar um crescimento sustentável em nossa linha de processadores.”

Ações acumulam forte alta em 2026

Até o fechamento do mercado nesta quinta-feira (23), as ações da Intel acumulavam valorização superior a 170% em 2026, depois de terem avançado 84% no ano passado.

Em 2025, o governo dos Estados Unidos adquiriu uma participação de 10% na companhia como parte de um esforço para fortalecer a fabricação de semicondutores no país.

Apesar da forte valorização acumulada no ano, os papéis enfrentavam um período de queda recentemente, acumulando recuo de 28% durante o mês de julho.

Empresa firma contratos de longo prazo para processadores

A Intel informou que começou a negociar contratos de longo prazo com clientes de seus processadores para servidores. Alguns desses acordos terão preços previamente definidos, enquanto outros serão estruturados com foco no volume de chips fornecidos. A empresa informou já ter fechado dez contratos desse tipo.

Segundo o diretor financeiro David Zinsner, a companhia enfrenta limitações de oferta, já que os clientes dos data centers estão demandando uma quantidade de processadores superior à capacidade atual de produção.

O texto destaca que contratos desse tipo vêm se tornando cada vez mais comuns, especialmente no setor de memória, como forma de preservar preços elevados e poder de mercado caso a demanda por IA desacelere no futuro.

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lip-bu tan, ceo da intel
Lip-Bu Tan substituiu Pat Gelsinger no comando da Intel – Imagem: Reprodução/Intel

Data centers lideram expansão

A divisão de computação para clientes, responsável pelos processadores para computadores pessoais, continua sendo a maior unidade da Intel. No segundo trimestre, sua receita cresceu 13%, chegando a US$ 8,9 bilhões (R$ 45,4 bilhões).

Entretanto, o crescimento mais acelerado ocorreu no segmento de data centers, cuja receita avançou 59% em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando US$ 6,3 bilhões (R$ 32,1 bilhões).

A companhia afirmou esperar que as vendas de PCs permaneçam estáveis no terceiro trimestre devido à escassez de memória.

Intel amplia investimentos em fabricação de chips

A empresa também informou que pretende elevar seus investimentos em capital, projetando um aumento “significativo” no próximo ano. O objetivo é acelerar sua transformação em uma fabricante de semicondutores para outras empresas.

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Em entrevista à CNBC, Zinsner afirmou que o processo de fabricação mais recente da companhia, chamado 14A, está mais avançado do que tecnologias anteriores estavam no mesmo estágio de desenvolvimento.

A unidade de fundição da Intel registrou receita de US$ 5,8 bilhões (R$ 29,6 bilhões) no trimestre, alta anual de 31%. Apesar disso, a empresa ainda não anunciou um grande cliente para sua operação de fabricação de chips, algo aguardado por investidores e potenciais parceiros.

Atualmente, a maior parte da produção da fundição continua destinada aos próprios processadores da Intel.

No início da semana, a companhia anunciou a Fortinet como o primeiro cliente identificado publicamente dessa unidade desde que Lip-Bu Tan assumiu a liderança da empresa. No entanto, a fabricante de soluções de segurança utilizará uma tecnologia de fabricação mais antiga para produzir seus chips.

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Margem bruta se recupera

Outro indicador que apresentou forte melhora foi a margem bruta da Intel. O índice alcançou 42% no segundo trimestre, ante apenas 2,5% registrados no mesmo período do ano anterior.

Segundo a empresa, a recuperação foi favorecida pelos ganhos de escala decorrentes do aumento da receita, além da comercialização de chips com margens mais elevadas e melhores preços.

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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