A passagem de uma forte frente fria provocou ventos de até 124,9 km/h e causou um rastro de destruição no Sul e no Sudeste do Brasil entre terça-feira (28) e esta quarta-feira (29). O fenômeno deixou ao menos três mortos em São Paulo, provocou apagões, interrompeu operações de aeroportos, portos, metrô, trens e balsas, além de provocar a formação de um tornado no Rio Grande do Sul.
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Segundo a Defesa Civil, o sistema encontrou uma atmosfera quente e úmida sobre a região, favorecendo tempestades, mudanças bruscas de temperatura e rajadas de vento extremamente intensas.
Três pessoas morreram em São Paulo
As três mortes confirmadas ocorreram no Estado de São Paulo. Em Santos, uma pessoa morreu após ser atingida pela queda de uma árvore na região do Canal 5, na Zona Leste da cidade. Segundo informações preliminares, a vítima vivia em situação de rua.
Outra morte ocorreu em Cesário Lange, na Região Metropolitana de Sorocaba. Um homem de 62 anos dirigia pela Estrada José Ricci quando uma árvore de grande porte caiu sobre o veículo. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.
A terceira vítima morreu em São Sebastião, no litoral norte paulista. O homem estava em uma embarcação de pesca que naufragou durante a tempestade. Outras quatro pessoas estavam a bordo: duas foram resgatadas em estado de choque e duas conseguiram sair ilesas.
Em Laranjal Paulista, uma árvore também caiu sobre uma idosa e sua cuidadora durante uma missa realizada em frente a uma igreja. A idosa sofreu fratura em uma das pernas e a acompanhante teve escoriações. Ambas foram levadas ao hospital em estado estável.
Rajadas passaram de 120 km/h
- As maiores velocidades do vento foram registradas no interior paulista;
- Segundo a Defesa Civil, Itaí e Itaporanga registraram rajadas de 124,9 km/h;
- Também foram registrados ventos de 117 km/h em Taquarituba, 113 km/h em Paranapanema, 111 km/h em Itanhaém e 104,8 km/h em Itaberá;
- Na capital paulista, as rajadas chegaram a cerca de 70 km/h no Aeroporto de Congonhas, obrigando o desvio de seis voos. Em Guarulhos, os ventos atingiram 62 km/h;
- A chegada da massa de ar frio também provocou uma queda brusca na temperatura. Em alguns pontos da Região Metropolitana de São Paulo, os termômetros caíram de aproximadamente 29 °C para cerca de 20 °C em apenas uma hora.
Ventania provoca estragos e falta de energia
A força dos ventos derrubou árvores, postes e semáforos, destelhou imóveis e comprometeu o fornecimento de energia em diversas cidades paulistas. Em Cubatão, foram registradas 14 quedas de árvores, enquanto 15 escolas suspenderam as aulas devido à falta de energia.
Mongaguá registrou destelhamentos, queda de árvores e danos em prédios públicos e residências. Em São Vicente, um semáforo caiu e equipes da prefeitura atenderam diversas ocorrências relacionadas à ventania.
Por volta das 17h20, cerca de 30 mil imóveis estavam sem energia elétrica na capital paulista. Em São Bernardo do Campo, mais de 9,4 mil endereços permaneciam sem luz, enquanto Santo André contabilizava outros 3,7 mil imóveis afetados.
A Defesa Civil orientou que a população evite permanecer em áreas abertas, próximo a árvores, postes, estruturas metálicas e outdoors durante os vendavais.
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“Não fiquem em áreas abertas, não fiquem em ruas e avenidas durante os vendavais. Proteja-se! Jamais fique ao lado de árvores, porque elas podem acabar caindo e você pode se ferir”, alertou o tenente Maxwel Souza, da Defesa Civil, à Band.
Porto de Santos e balsas tiveram operações interrompidas
A ventania também afetou o transporte marítimo. A Autoridade Portuária de Santos suspendeu temporariamente a navegação no canal do porto por questões de segurança. As operações na Ilha Barnabé, especializada em granéis líquidos químicos e combustíveis, também foram interrompidas preventivamente e retomadas posteriormente.
Uma árvore de grande porte caiu em um terminal da Alemoa, enquanto um muro desabou sobre dois caminhões na região portuária. Não houve registro de feridos. As travessias de balsas entre Santos e Guarujá, Vicente de Carvalho e Santos, Bertioga e Guarujá, além da ligação entre São Sebastião e Ilhabela, também foram suspensas.
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Em Ilhabela, embarcações precisaram reforçar as amarras para evitar serem arrastadas pelo mar agitado. Em São Sebastião, além do naufrágio da embarcação de pesca, uma embarcação de turismo também afundou no canal. Árvores caíram, escolas tiveram coberturas danificadas e vidros foram quebrados.

Rio de Janeiro enfrentou apagão e paralisação dos transportes
No Estado do Rio de Janeiro, a chegada da frente fria também provocou transtornos. Rajadas superiores a 100 km/h atingiram a Costa Verde. Em Angra dos Reis, os ventos chegaram a 104 km/h, enquanto na base aérea do Galeão foram registrados 105 km/h. Na capital, Santa Cruz registrou rajadas de até 92 km/h.
A cidade entrou em Estágio 2 de alerta. A ventania provocou queda de árvores, postes e galhos em dezenas de pontos da capital, além de interrupções no fornecimento de energia elétrica em bairros de todas as regiões da cidade e também em municípios da Baixada Fluminense.
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Segundo a concessionária Light, a falha foi provocada por um problema externo ao sistema da empresa. A falta de energia afetou diretamente a mobilidade urbana. As linhas 1, 2 e 4 do metrô tiveram a circulação interrompida temporariamente, deixando passageiros presos dentro das composições. Os trens também pararam de operar durante parte da tarde.
O Aeroporto Santos Dumont suspendeu pousos e decolagens, enquanto o Aeroporto Internacional do Galeão manteve as operações, embora cinco voos tenham sido desviados para outros aeroportos. A Ponte Rio-Niterói passou a operar em sistema de comboio, com interrupções temporárias sempre que as rajadas aumentavam.
Segundo a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros, foram registradas cerca de 30 ocorrências de queda de árvores, 26 resgates de pessoas e quatro desabamentos, sem mortes relacionadas à ventania. Uma funcionária da Fiocruz sofreu ferimentos leves após ser atingida por uma árvore.
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Diante da situação, o prefeito em exercício, Eduardo Cavaliere, pediu que a população evitasse deslocamentos desnecessários. “Na volta para casa hoje, evitar áreas abertas e marquises de prédios. Registros de quedas de árvores em todas as regiões da cidade. Semáforos e trânsito da cidade impactados em diferentes regiões. Informe de impacto no fornecimento de energia elétrica em todo Estado do RJ. Aqueles que puderem, por favor, evitar deslocamentos que não sejam essenciais”, afirmou.
Tornado deixa feridos no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, um tornado atingiu os municípios de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho na noite de terça-feira (28).
Segundo a Defesa Civil, o fenômeno foi provocado por uma supercélula — um tipo de tempestade caracterizada por uma corrente ascendente de ar em rotação. Quando o funil formado pela nuvem toca o solo, a ocorrência passa a ser classificada como tornado.
Sete pessoas ficaram feridas. Uma delas precisou passar por cirurgia e permanecia internada, sem risco de morte. Em Senador Salgado Filho, uma residência foi completamente destruída, outras 15 sofreram danos e três pessoas ficaram desalojadas.
Em Sete de Setembro, duas casas foram destruídas e outras 15 foram danificadas. Já em Giruá, três imóveis registraram estragos.
Paraná também sofreu impactos
No Paraná, o mesmo sistema meteorológico provocou ventos superiores a 80 km/h, quedas de árvores, destelhamentos e deixou mais de 108 mil imóveis sem energia elétrica. Em Curitiba, um homem ficou ferido após ser atingido por um portão derrubado pela força do vento.
Meteorologistas associam todos os fenômenos ao avanço da frente fria pelo Centro-Sul do país, que encontrou uma atmosfera quente e úmida, condição favorável para a formação de tempestades severas, ventos intensos e mudanças bruscas de temperatura.
Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.












