A Keeta, plataforma de entregas pertencente à chinesa Meituan, foi alvo de uma denúncia apresentada ao Ministério Público do Trabalho de São Paulo por práticas que, segundo a representação, poderiam aumentar os riscos enfrentados por motociclistas durante as entregas. O caso foi protocolado nesta sexta-feira (31) pelo entregador Elias Pereira Freitas da Silva Júnior, conhecido como JR Freitas.
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A acusação aponta que trabalhadores recebem notificações informando que sua velocidade está abaixo do padrão esperado, além de enfrentarem mecanismos de incentivo ligados ao tempo de conclusão dos pedidos. A representação também questiona se o sistema considera situações como trânsito intenso, chuva, semáforos e condições das vias antes de cobrar desempenho dos entregadores.
O documento enviado ao MPT solicita medidas como preservação de dados da plataforma, análise independente do algoritmo, revisão de alertas relacionados à velocidade e maior clareza sobre bloqueios e pagamentos. A empresa afirma que adota recursos tecnológicos para promover entregas seguras e que a proteção dos parceiros é prioridade.
Entregadores questionam impacto do algoritmo sobre a rotina nas ruas

A denúncia foi apresentada após motociclistas procurarem JR Freitas para relatar preocupações sobre o funcionamento da plataforma. O representante do Movimento dos Trabalhadores Sem Direitos afirmou que os trabalhadores temem punições ou bloqueios quando recebem alertas de desempenho, especialmente em situações nas quais o atraso ocorre por fatores externos.
Segundo o denunciante, a dinâmica adotada pela plataforma poderia provocar ansiedade entre motociclistas ao abrir contagens regressivas para aceitar pedidos e informar que outros profissionais também estão disponíveis para assumir aquela entrega. Para ele, esse tipo de mecanismo pode retirar a atenção necessária do trânsito.
Apesar das críticas, Freitas avaliou que a chegada de novos concorrentes ao setor de entregas trouxe efeitos positivos para consumidores e trabalhadores. Ele citou a entrada da Keeta e da 99Food ao lado de empresas como iFood e Rappi como um fator que ampliou a disputa no mercado.
A representação encaminhada ao Ministério Público do Trabalho pede que sejam mantidos registros de localização dos entregadores, mensagens enviadas pela plataforma, critérios de remuneração e informações sobre bloqueios. O pedido também inclui proteção contra possíveis retaliações a trabalhadores envolvidos na investigação.
O MPT informou que já existe uma apuração relacionada à velocidade dos entregadores, motivada por preocupações com segurança no trânsito e aumento de mortes na capital paulista. O órgão, porém, não apresentou manifestação específica sobre o caso envolvendo a Keeta.
Empresa defende uso de tecnologia para melhorar operações

Em resposta às acusações, a Keeta declarou que trabalha com sistemas tecnológicos próprios e ferramentas baseadas em inteligência artificial para organizar rotas, diminuir períodos de espera e ampliar a quantidade de entregas sem sobrecarregar os entregadores parceiros.
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A companhia também afirmou que a segurança dos motociclistas é uma prioridade dentro de sua operação. A empresa mantém no Brasil, desde novembro do ano passado, o programa de “Horário garantido”, política que oferece compensação ao consumidor quando o pedido não chega dentro do prazo indicado.
O modelo segue uma estratégia semelhante à adotada pela empresa em outros mercados onde atua, incluindo a China. Lá, a plataforma se tornou uma das maiores operações de entrega de alimentos e enfrenta críticas relacionadas à intensidade da rotina dos trabalhadores.
Debate sobre velocidade também aparece na operação chinesa
Relatos reunidos no documento apresentado ao MPT apontam que entregadores chineses enfrentam jornadas prolongadas e forte cobrança por eficiência. Depoimentos citados no material descrevem profissionais trabalhando entre dez e 12 horas por dia e buscando cumprir metas elevadas de entrega.
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Um líder de equipe de entregadores da Keeta na China, apresentado no documento como referência de produtividade, afirmou ter uma rotina de até 12 horas diárias, com dezenas de pedidos realizados por jornada. O profissional também teria alcançado reconhecimento interno como “entregador de ouro” da Meituan.
O livro “Faço Entregas em Pequim: Memórias de um Trabalhador”, de Hu Anyan, também é citado no material como um registro das dificuldades enfrentadas por trabalhadores do setor no país asiático. A obra aborda jornadas extensas, limitações de benefícios sociais, remuneração considerada insuficiente e falta de descanso adequado.
A discussão sobre as condições dos entregadores chineses ganhou força após relatos sobre acidentes e pressão por rapidez. Conforme o texto apresentado, estudos mencionados na publicação apontaram aumento de acidentes de trânsito associado à velocidade exigida pelas entregas de motocicleta.
Wagner Edwards
Wagner Edwards é Bacharel em Jornalismo e atua como Analista de SEO e de Conteúdo no Olhar Digital. Possui experiência, também, na redação, edição e produção de textos para notícias e reportagens.











