A Justiça dos Estados Unidos marcou para 2 de março de 2027 o início do julgamento que decidirá se a aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount, avaliada em US$ 111 bilhões (R$ 570,9 bilhões), viola as leis antitruste do país. A decisão pode atrasar ainda mais a conclusão de uma das maiores fusões da história da indústria do entretenimento.
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A juíza Araceli Martínez-Olguín, do Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia, determinou que o julgamento terá duração de 12 dias, com duas pausas previstas ao longo de março.
Estados conseguem adiar julgamento
- O cronograma representa uma vitória para a coalizão de 12 estados estadunidenses que entrou na Justiça para bloquear a operação;
- Na semana passada, os procuradores-gerais haviam solicitado que o julgamento começasse em abril de 2027. A Paramount, por sua vez, defendia que o caso fosse analisado já em novembro deste ano e classificou o pedido dos estados como uma estratégia para atrasar deliberadamente o processo;
- Em nota, a empresa afirmou que respeita a decisão da Justiça;
- Já o gabinete de Rob Bonta, procurador-geral da Califórnia e um dos líderes da ação, disse que aprecia “a atenção dada pelo tribunal ao caso”.
O adiamento também aumenta os custos da operação para a Paramount. Pelos termos do acordo, a companhia terá de pagar US$ 650 milhões (R$ 3,3 bilhões) aos acionistas da Warner Bros. Discovery por cada trimestre de atraso no fechamento da fusão a partir de outubro.
Além disso, a Paramount concordou em não concluir a aquisição antes da decisão judicial e estabeleceu junho de 2027 como prazo máximo para finalizar a operação.

Em carta enviada aos investidores, David Ellison, controlador da Paramount, afirmou que a companhia continua avançando em seus planos enquanto aguarda a conclusão da compra.
Segundo ele, a empresa espera gerar US$ 3,9 bilhões (R$ 20 bilhões) em lucro ajustado neste ano, impulsionada por um amplo programa de redução de custos.
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Fusão reuniria grandes estúdios e plataformas de streaming
Se aprovada, a operação unirá sob o mesmo grupo dois dos maiores estúdios de Hollywood, além dos serviços de streaming HBO Max e Paramount+ e canais, como CBS e CNN.
A Paramount argumenta que a fusão é necessária para fortalecer sua posição diante da concorrência de gigantes do streaming, como Netflix e Amazon.
Em artigo publicado no The New York Times, David Ellison afirmou que as ações judiciais contra a operação “imaginam uma Hollywood que já não existe”.
Estados e sindicato contestam acordo
Os procuradores-gerais que moveram a ação sustentam que a fusão daria à Paramount uma posição dominante em diversos segmentos do mercado, incluindo a produção de filmes de grande lançamento, os chamados blockbusters, e canais de TV por assinatura.
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Além da ação dos estados, o Writers Guild of America, sindicato que representa roteiristas nos Estados Unidos, também entrou na Justiça, alegando que a operação poderá prejudicar profissionais da indústria.
Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.













