Mato Grosso é o estado com mais focos de calor registrados no país em 2026

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Mato Grosso lidera o número de focos de calor registrados no Brasil em 2026, entre incêndios ativos e áreas em monitoramento. Até o momento, o estado contabiliza 4.553 focos, o equivalente a 15,4% do total registrado no país, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Nas últimas 48 horas, foram registrados 227 focos de calor em Mato Grosso pelo satélite de referência AQUA, no período da tarde. Desde o início de agosto, o estado soma 809 focos, seguido pelo Pará, com 580 registros.

Em Cuiabá, houve redução pela metade na quantidade de focos em comparação com o mesmo período do ano passado, passando de oito para quatro registros.

Municípios com mais focos

Paranatinga, a 375 km de Cuiabá, aparece como o município com maior número de focos de calor, concentrando 7,7% dos registros do estado. Na sequência estão Marcelândia, com 5,4%, Nova Maringá, com 4,4%, e Tangará da Serra, também com 4,4%.

As regiões de Paranatinga e Nova Santa Helena, a cerca de 600 km da capital, concentram ocorrências de grande duração e extensão.

Em Paranatinga, as queimadas já duram 44 dias. Já em Nova Santa Helena, um incêndio na região amazônica consumiu quase 15 mil hectares em dez dias. A ocorrência é atualmente a segunda maior do Brasil em extensão de área atingida pelo fogo, atrás de um incêndio registrado em Lagoa da Confusão, no Tocantins.

Em Barra do Garças, outro incêndio de grandes proporções já atingiu pouco mais de 13 mil hectares após quatro dias de ocorrência.

O Corpo de Bombeiros atua na região de Nova Santa Helena desde quinta-feira (6), com apoio de uma aeronave no combate às chamas. A fumaça também alcançou municípios próximos, como Cláudia e Sinop.

Seca aumenta risco de incêndios

Com o fim do período chuvoso, Mato Grosso entra no período mais crítico para a ocorrência de incêndios florestais. Agosto e setembro costumam concentrar o auge da estiagem no estado.

Neste ano, a umidade relativa do ar já chegou a ficar abaixo de 30%, enquanto a fumaça dos incêndios é percebida em diferentes municípios.

Segundo o coronel da reserva do Corpo de Bombeiros, Aluisio Metelo, a combinação entre estiagem, baixa umidade, altas temperaturas e ventos favorece a propagação das chamas.

Com o avanço da estiagem, a redução das chuvas e da umidade da vegetação aumenta a disponibilidade de materiais como gramíneas, folhas e galhos para a combustão. A combinação com temperaturas elevadas e vento aumenta o potencial de propagação e intensidade do fogo.

O coronel também destaca que, embora as características naturais de biomas como o Cerrado possam favorecer a ocorrência de queimadas, a ação humana tem papel importante na origem dos focos.

Segundo ele, cerca de 90% das ignições estão associadas a ações humanas, incluindo uso inadequado do fogo, queimadas que saem de controle, ocorrências às margens de rodovias, uso de máquinas e equipamentos, redes elétricas e ações criminosas. A identificação da causa, porém, depende de investigação.

Em Mato Grosso, o período proibitivo para o uso do fogo começou em 1º de julho e segue até 30 de novembro. O descumprimento da medida pode configurar crime ambiental e resultar em multas e outras penalidades previstas em lei.

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