Julho de 2026 está entre os meses mais quentes já registrados

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Julho de 2026 terminou empatado com julho de 2024 como o julho mais quente já registrado no planeta desde o início das medições, em 1850, segundo dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês).

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O resultado foi divulgado em 11 de agosto pelos Centros Nacionais de Informação Ambiental (NCEI, na sigla em inglês) da NOAA.

A NASA classificou julho de 2026 de forma ainda mais contundente, colocando o mês como o julho mais quente já registrado. O serviço europeu Copernicus, por sua vez, colocou o período em segundo lugar, enquanto a agência meteorológica do Japão considerou o mês empatado com o primeiro lugar.

Julho costuma ser o mês mais quente do ano para o planeta como um todo, em grande parte porque o Hemisfério Norte concentra a maior parte das áreas terrestres da Terra. Segundo a NOAA, julho de 2026 e julho de 2024 são “mais provavelmente do que não os meses mais quentes já registrados no planeta desde 1850”.

O resultado também se encaixa em uma sequência de temperaturas elevadas ao longo de 2026. De janeiro a julho, o ano aparece como o terceiro período mais quente já registrado para os sete primeiros meses de um ano.

Oceanos atingem novo recorde

  • Os oceanos foram responsáveis por uma das marcas mais preocupantes de julho;
  • A temperatura da superfície dos mares foi a mais alta já registrada para um mês de julho, enquanto as temperaturas sobre as áreas terrestres ficaram na terceira posição entre as mais elevadas já observadas para o período;
  • No fim do mês, a temperatura diária da superfície do mar em uma faixa que vai de 60 graus de latitude sul a 60 graus de latitude norte chegou a 21,05 °C. O valor ficou muito próximo do recorde absoluto, registrado em março de 2024;
  • O calor também foi particularmente intenso em várias regiões do planeta;
  • América do Norte, África e Ásia registraram, cada uma, o julho mais quente de suas respectivas séries históricas;
  • A América do Sul teve o sexto julho mais quente já registrado, enquanto a Europa ficou em sétimo lugar e a Oceania, em oitavo;
  • Nos Estados Unidos, o cenário foi ainda mais extremo. Julho de 2026 não foi apenas o julho mais quente já registrado no país: foi também o mês mais quente de toda a história das medições estadunidenses, superando o recorde estabelecido durante o verão de 1936, no período conhecido como Dust Bowl.

2026 pode terminar entre os anos mais quentes

Apesar das temperaturas excepcionais registradas até agora, a NOAA estima que há 99,9% de probabilidade de 2026 terminar entre os quatro anos mais quentes já registrados. A agência, entretanto, considera praticamente nulas as chances de o ano terminar como o mais quente da história.

Existe uma ressalva importante nessa projeção: o modelo estatístico utilizado pela NOAA não incorpora explicitamente os efeitos de El Niño ou La Niña. Um El Niño de intensidade recorde está se tornando cada vez mais provável, o que poderia elevar as temperaturas além do que a projeção básica indica.

O cientista climático Zeke Hausfather avalia ao Earth.com que 2026 pode chegar muito perto do recorde sem necessariamente superá-lo. Nesse cenário, 2027 seria o ano com maior probabilidade de estabelecer uma nova marca histórica.

Desastres climáticos já provocaram bilhões em perdas

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O calor recorde ocorre em ano que também registra quantidade expressiva de eventos climáticos extremos. A corretora de seguros Gallagher Re contabilizou 29 desastres meteorológicos com prejuízos superiores a US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,5 bilhões) em todo o mundo apenas nos primeiros seis meses de 2026.

A lista inclui nove episódios de condições meteorológicas severas, todos nos Estados Unidos; seis enchentes; cinco tempestades de vento na Europa; quatro eventos relacionados ao inverno; três ciclones tropicais e duas secas — uma no Brasil e outra nos Estados Unidos.

As perdas totais chegaram a US$ 104 bilhões (cerca de R$ 572 bilhões). O valor, apesar de elevado, ficou abaixo da média de US$ 139 bilhões (cerca de R$ 765 bilhões) registrada na última década. Por isso, a Gallagher Re classificou o primeiro semestre como um início “administrável” para o setor de seguros.

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Nos Estados Unidos, a organização Climate Central contabilizou 12 desastres meteorológicos e climáticos com prejuízos superiores a US$ 1 bilhão até o fim do primeiro semestre. Os eventos provocaram pelo menos US$ 31,9 bilhões (cerca de R$ 176 bilhões) em danos.

O desastre mais caro foi uma sequência de tempestades severas que atingiu as regiões central e sul dos Estados Unidos entre 23 e 26 de abril.

O episódio provocou US$ 6,8 bilhões (cerca de R$ 37,4 bilhões) em prejuízos e gerou 99 tornados confirmados, além de mais de mil registros de danos provocados por granizo e ventos fortes em uma área que se estendeu do Texas a Indiana.

Ilustração sobre calor causado pelas mudanças climáticas no mundo
Situação só piora com o El Niño – Imagem: Quality Stock Arts/Shutterstock

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El Niño ganha força

Outro fator que pode influenciar o comportamento das temperaturas nos próximos meses é o El Niño. Um alerta para o fenômeno permanece em vigor no Pacífico oriental. Na previsão divulgada em 9 de julho, a NOAA estimou em 97% a probabilidade de o El Niño persistir até o início da primavera de 2027. Na última quinta-feira (13), a agência indicou haver 95% de chances de o fenômeno ser mais forte do que o normal.

Em 10 de agosto, as temperaturas semanais da superfície do mar na região de referência Niño 3.4 estavam 1,8 °C acima da média. Esse nível é associado a um El Niño forte e já se aproxima da marca de 2 °C, normalmente relacionada a eventos considerados muito fortes.

O Centro de Previsão Climática da NOAA calcula que há 100% de probabilidade de o El Niño permanecer ativo durante o pico da temporada de furacões, entre agosto e outubro. A agência estima ainda 48% de chance de o fenômeno atingir intensidade muito forte nesse período. Entre outubro e dezembro, essa probabilidade sobe para 81%.

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O fenômeno, no entanto, também pode produzir um efeito contrário sobre uma das ameaças climáticas associadas ao período.

O El Niño pode reduzir a atividade de furacões no Atlântico ao aumentar o cisalhamento do vento sobre a região, potencialmente funcionando como um fator de compensação diante de outras condições favoráveis à formação de tempestades.

Gelo recua nos dois polos

O calor também teve reflexos nas regiões polares. A extensão do gelo marinho do Ártico em julho ficou na sexta menor marca dos 48 anos de registros por satélite. O mês também foi o terceiro julho mais quente já registrado na região. Todos os 10 julhos mais quentes do Ártico ocorreram desde 2012.

A perda de gelo chegou a acompanhar de perto o ritmo registrado em 2012 até a metade de julho. Naquele ano, o Ártico acabou estabelecendo o recorde absoluto de menor extensão sazonal de gelo marinho. O ritmo de perda, porém, diminuiu nas semanas seguintes, e o recorde de 2012 permanece intacto por enquanto.

Na Antártida, a extensão do gelo marinho teve o quinto menor julho já registrado. Curiosamente, a própria região antártica apresentou temperaturas abaixo da média durante o mês: ficou 0,27 °C abaixo do normal, tornando julho de 2026 o julho mais frio na Antártida desde 2016.

Onde fez mais calor em julho?

Os extremos de temperatura registrados em julho também chamaram atenção. Segundo o rastreador de recordes meteorológicos Maximiliano Herrera, a maior temperatura do Hemisfério Norte foi registrada em Omidieh, no Irã, onde os termômetros chegaram a 52,7 °C em 14 de julho.

A menor temperatura do Hemisfério Norte ocorreu na Groenlândia. As estações Summit e East Grip registraram -25,9 °C nos dias 3 e 13 de julho, respectivamente. No Hemisfério Sul, Pozo Hondo, na Argentina, registrou a maior temperatura, com 41,6 °C em 17 de julho. Já o recorde de frio ficou com Concordia, na Antártida, que chegou a -84,1 °C em 18 de julho.

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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