A SpaceX planeja encerrar gradualmente as operações de seu principal foguete, o Falcon 9, quando a Starship, sua nova geração de veículos espaciais, começar a realizar voos regulares. A decisão também deverá atingir o Falcon Heavy, versão equipada com três propulsores, conforme a empresa conseguir tornar a Starship confiável o suficiente para assumir a maior parte das missões.
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O Falcon 9 fez seu primeiro lançamento em 2010 e rapidamente se tornou um dos foguetes mais importantes da história da exploração espacial. Até agora, o veículo realizou quase 700 lançamentos e foi o primeiro foguete orbital a pousar e reutilizar seu primeiro estágio.
O único veículo de lançamento com mais missões acumuladas é o foguete russo Soyuz, em operação desde 1957. A expectativa, porém, é que o Falcon 9 ultrapasse essa marca no próximo ano.
O fim da trajetória do Falcon 9 já era especulado e foi confirmado pelo fundador e CEO da SpaceX, Elon Musk, em publicação no X em 22 de agosto.
“Encerrar gradualmente o Falcon”, incluindo o Falcon 9 e o Falcon Heavy, é inevitável, segundo Musk. De acordo com ele, quando a Starship estiver voando de maneira confiável várias vezes por semana, fará sentido transferir os recursos de produção para o novo foguete e aumentar sua frequência de lançamentos para várias vezes por dia.
Falcon 9 deve continuar em algumas missões
- Ainda não é possível determinar qual será o impacto da saída do Falcon 9 do mercado de lançamentos. Relatórios do setor, no entanto, indicam que a SpaceX poderá interromper quase todas as missões do foguete a partir de 2028;
- Entre as exceções provavelmente estarão os lançamentos tripulados e de reabastecimento da NASA para a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês). A estação deve continuar em operação pelo menos até 2030, o que significa que a agência ainda precisará do Falcon 9 para algumas missões;
- Para outros clientes, a mudança deverá exigir a adaptação à Starship para colocar satélites em órbita.
A data exata para o início da redução das operações do Falcon 9 dependerá do desenvolvimento da Starship. Ao contrário de seu antecessor, o novo veículo foi projetado para ser completamente reutilizável. Tanto o propulsor Super Heavy quanto o estágio superior da Starship foram concebidos para retornar à Terra e voar novamente.
No Falcon 9 e no Falcon Heavy, os primeiros estágios são reutilizáveis, mas os estágios superiores são descartáveis.

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Starship é maior e muito mais potente
A Starship também supera consideravelmente o Falcon 9 em tamanho e capacidade de carga. A atual versão V3 da Starship mede 124,4 metros de altura, enquanto o Falcon 9 tem cerca de 70 metros.
A capacidade de transporte também é muito maior. A Starship deve conseguir colocar mais de 100 toneladas em órbita baixa da Terra (LEO, na sigla em inglês). O Falcon 9 pode transportar cerca de 25 toneladas, enquanto o Falcon Heavy chega a aproximadamente 63 toneladas.
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A maior capacidade é especialmente importante para a estratégia da própria SpaceX com sua constelação de satélites Starlink.
Starlink será um dos motores da mudança
A maior parte dos lançamentos do Falcon 9 nos últimos anos foi dedicada à expansão da Starlink. Desde 2023, foram realizados mais de 300 lançamentos relacionados à rede de internet via satélite da SpaceX, que já conta com mais de 11 mil satélites.
As próximas gerações dos satélites Starlink, porém, são maiores e foram projetadas para caber no compartimento de carga da Starship, e não sobre o Falcon 9.
Assim que a Starship começar a realizar lançamentos confiáveis — e possivelmente antes disso —, a SpaceX pretende começar a substituir os satélites atuais da Starlink por versões mais novas.
A mudança poderá provocar um aumento significativo na frequência dos lançamentos da Starship. O próprio Falcon 9 passou por transformação semelhante. Em 2019, quando a SpaceX começou a montar a constelação Starlink, o foguete realizou apenas 11 lançamentos durante todo o ano. Em 2025, foram 165 missões, sendo 122 delas dedicadas à Starlink.
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Starship também será usada no programa Artemis
A NASA contratou a SpaceX para desenvolver uma versão da Starship destinada a atuar como módulo de pouso lunar nas missões Artemis. Uma Starship V3 está prevista para participar da missão Artemis 3, no próximo ano. A missão deverá testar operações de acoplamento em órbita baixa da Terra com a espaçonave Orion, da NASA.
A Starship também está prevista para transportar astronautas até a superfície da Lua durante a Artemis 4, planejada para 2028. Esse cronograma coincide com a previsão indicada pela SpaceX à NASA para o encerramento dos lançamentos comerciais do Falcon 9 em 2028.
ISS é um dos obstáculos para a substituição
Apesar da transição planejada, existe uma missão para a qual a Starship ainda não foi contratada nem projetada: as operações de acoplamento com a Estação Espacial Internacional.
A NASA pretende continuar comprando voos das espaçonaves Dragon de carga e Crew Dragon, lançadas pelo Falcon 9, para transportar suprimentos e astronautas até a ISS, pelo menos até 2030.
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Transferir essas atividades para a Starship seria complicado. Além dos custos e das questões contratuais, o próprio tamanho do novo veículo representa riscos de engenharia que precisam ser considerados dentro das margens de segurança da estação.
Futuro do Falcon 9 depende da Starship
O cronograma para a aposentadoria do Falcon 9 também depende diretamente do sucesso da Starship. Até agora, o novo veículo realizou 13 voos de teste suborbitais. Outro lançamento está previsto para acontecer no próximo mês e poderá representar a primeira tentativa da Starship de alcançar a órbita.
Esse será apenas um dos vários marcos que o foguete precisará superar antes de atingir a condição estabelecida por Musk de realizar voos confiáveis várias vezes por semana.
Esse nível de frequência já foi alcançado pelo Falcon 9. A construção da infraestrutura necessária para operar a Starship, entretanto, representa um empreendimento muito maior do que os pouco mais de uma dúzia de voos de teste bem-sucedidos realizados pelo novo veículo até agora.
Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
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