Se uma pessoa caísse em um buraco negro, o resultado dependeria principalmente da massa do objeto. Em um buraco negro de massa estelar, as forças de maré poderiam esticar e comprimir o corpo antes que ele chegasse ao horizonte de eventos. Esse processo é chamado de espaguetificação.
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Em um buraco negro supermassivo, porém, a diferença de gravidade entre a cabeça e os pés pode ser muito menor na região do horizonte. Em um cenário idealizado, seria possível atravessar essa fronteira sem sentir nada especialmente intenso naquele momento. Isso não significaria segurança: depois do horizonte de eventos, não existe trajetória conhecida que permita voltar para o lado de fora.

A gravidade puxaria cada parte do corpo
A espaguetificação acontece por causa das chamadas forças de maré. Elas surgem porque a gravidade não tem exatamente a mesma intensidade em todos os pontos de um objeto.
Imagine uma pessoa caindo com os pés voltados para o buraco negro. Os pés estariam mais próximos do centro do objeto do que a cabeça. Por isso, sentiriam uma atração gravitacional maior.
À medida que a pessoa se aproximasse do buraco negro, essa diferença aumentaria. Em algum ponto, ela poderia ser suficiente para esticar o corpo na direção do buraco negro e comprimi-lo nas outras direções.
É daí que vem o nome espaguetificação. A matéria seria alongada em uma direção e comprimida nas outras, ficando cada vez mais deformada. Em um buraco negro de massa estelar, esse processo pode ocorrer antes da passagem pelo horizonte de eventos, explica a NASA.
A situação também dependeria do ambiente ao redor. Alguns buracos negros são cercados por um disco de acreção, formado por gás e outros materiais em movimento. Esse material pode atingir temperaturas muito altas e emitir radiação intensa. Nesse caso, a pessoa poderia enfrentar condições letais antes mesmo de chegar ao horizonte.
Buracos negros maiores podem ser menos violentos
O tamanho do buraco negro muda bastante a experiência. Buracos negros supermassivos podem ter massas de centenas de milhares a bilhões de vezes a do Sol.
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Como o horizonte de eventos de um buraco negro supermassivo é muito maior, a diferença de gravidade entre dois pontos separados pela altura de uma pessoa pode ser relativamente pequena nessa região.
Por isso, em um cenário idealizado, alguém poderia atravessar o horizonte de um buraco negro supermassivo sem ser imediatamente destruído pelas forças de maré. A NASA usa esse contraste para explicar por que a passagem pelo horizonte de um buraco negro supermassivo pode ser muito menos dramática do que a de um buraco negro de massa estelar.
Isso não transforma o horizonte em uma região segura. O horizonte de eventos é a fronteira a partir da qual nada consegue retornar para o exterior, nem mesmo a luz.
O que acontece depois dessa fronteira é mais difícil de descrever. A relatividade geral prevê uma região central chamada singularidade em determinadas soluções de buracos negros, mas a física atual não oferece uma descrição completa do que ocorre nessas condições extremas.
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Por isso, afirmações sobre o que uma pessoa sentiria nas regiões mais profundas devem ser tratadas como previsões baseadas nas teorias atuais, e não como algo diretamente observado.

Para quem olha de longe, a queda parece congelar
A queda também seria percebida de maneira diferente por quem estivesse muito distante. Isso acontece por causa da dilatação gravitacional do tempo, um efeito previsto pela relatividade geral.
Para a pessoa que estivesse caindo, seu próprio relógio continuaria funcionando normalmente. Ela poderia atravessar o horizonte em um intervalo finito de seu próprio tempo, desde que as condições do cenário permitissem.
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Para um observador distante, entretanto, os sinais de luz enviados pela pessoa demorariam cada vez mais para chegar. A luz também sofreria um deslocamento para frequências mais baixas, ficando progressivamente mais avermelhada e fraca.
Por isso, para esse observador, a pessoa pareceria desacelerar conforme se aproximasse do horizonte. Sua imagem poderia parecer congelada e desaparecer progressivamente nas proximidades dessa fronteira.
Isso não significa que a pessoa realmente pararia no horizonte. O aparente congelamento é consequência de como a luz e o tempo são percebidos por alguém que permanece distante do buraco negro.
A diferença entre as duas perspectivas é uma das consequências mais conhecidas da relatividade geral. Para quem cai, a passagem pelo horizonte pode acontecer em tempo finito. Para quem observa de longe, a queda parece desacelerar cada vez mais.
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No fim, não existe um único roteiro para essa queda. A massa e as condições do buraco negro fazem diferença. Em um objeto de massa estelar, as forças de maré podem deformar o corpo antes do horizonte. Em um supermassivo, o cruzamento pode ser inicialmente muito mais suave. Em qualquer dos casos, depois do horizonte de eventos, não há caminho conhecido de volta.
Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
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