Pesquisas do Ctecno Parecis ampliam conhecimento sobre a segunda safra e apoiam decisões no campo

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A segunda safra de milho é marcada por uma série de desafios
que podem interferir diretamente no potencial produtivo da lavoura. Condições
climáticas, características do solo, época de semeadura, escolha do material
genético e práticas de manejo estão entre os fatores que precisam ser
considerados pelo produtor.
 

Para ampliar o conhecimento sobre essas variáveis e gerar
informações aplicáveis ao campo, o Centro Tecnológico de Campo Novo do Parecis
(Ctecno Parecis), conduzido pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de
Mato Grosso (Aprosoja MT) em parceria com o Instituto Mato-grossense do
Agronegócio (Iagro), realiza diferentes estudos voltados à realidade da
produção regional.
 

Na safra 2025/2026, um dos trabalhos avaliou o desempenho de
40 híbridos de milho em quatro ambientes distintos. Os materiais foram
cultivados em solos de textura média, com aproximadamente 30% de argila, e em
solos de textura arenosa, com cerca de 10% de argila. Em cada tipo de solo, os
híbridos foram avaliados em duas épocas de semeadura: no início de fevereiro,
considerada uma janela ideal para a segunda safra, e próxima ao dia 20 de
fevereiro, período de fechamento da janela de semeadura.
 

De acordo com a pesquisadora da Aprosoja MT e do Iagro no
Ctecno Parecis, Daniela Facco, os resultados reforçam a influência das
condições de produção sobre o desempenho dos materiais. “Como já vínhamos
observando em outros anos, o potencial produtivo dos milhos cultivados no solo
de textura arenosa foi consideravelmente inferior ao ambiente de textura média,
devido às limitações que os solos arenosos apresentam”, explica.
 

Outro resultado chamou a atenção na safra atual. Os
materiais semeados na segunda época apresentaram produtividade superior aos
cultivados na primeira época, comportamento associado às condições climáticas
registradas durante o ciclo.
 

A região de Campo Novo do Parecis registrou volumes elevados
de chuva e precipitações de alta intensidade, principalmente no início do
desenvolvimento das lavouras semeadas no começo de fevereiro. O período
coincidiu ainda com o manejo da adubação nitrogenada, fazendo com que os
materiais cultivados em solos arenosos sofressem impactos mais expressivos.
 

“Esse milho semeado mais cedo teve um impacto bastante
considerável com chuvas de alta intensidade. Tivemos excesso hídrico e,
principalmente, chuvas de alta intensidade no início do desenvolvimento da
cultura”, afirma a pesquisadora.
 

Segundo a Daniela Facco, o efeito foi mais significativo nos
solos arenosos, que apresentam maior suscetibilidade a perdas de nutrientes. O
resultado evidencia a importância de considerar não apenas o potencial
individual de cada híbrido, mas também a interação entre material genético,
época de semeadura e ambiente de produção.
 

Além dos 40 híbridos, o Ctecno Parecis avaliou, na safra
atual, o desempenho de cinco híbridos de milho cultivados após o estilosante em
solo de textura arenosa. A planta de cobertura leguminosa se destaca pelo
aporte de palhada e de nitrogênio, características que podem contribuir para o
desenvolvimento do milho na segunda safra.
 

Os resultados observados foram considerados promissores e
serão apresentados em boletim técnico, juntamente aos dados das vitrines de
milho. A publicação deverá reunir informações sobre ambiente de produção, época
de semeadura, comportamento das safras e efeito do uso do estilosante sobre o
desempenho do milho. Para Daniela, o trabalho com plantas de cobertura é
especialmente relevante em ambientes de solos leves, característica presente no
Ctecno Parecis.
 

“Nesses solos arenosos, principalmente usando plantas de
cobertura com um sistema radicular mais agressivo e alto aporte de palhada,
isso tudo vai contribuir para a agregação do solo, manter a estrutura, aumentar
a matéria orgânica e ter uma manutenção da fertilidade do solo, proporcionando
uma ciclagem de nutrientes”, destaca.
 

Outro estudo conduzido nos últimos anos no Ctecno Parecis
busca identificar estratégias para ampliar o potencial produtivo do milho na
segunda safra. Os pesquisadores avaliam diferentes híbridos submetidos a
populações crescentes de plantas, desde densidades mais baixas até populações
elevadas.
 

O objetivo é identificar quais materiais apresentam
capacidade de transformar o aumento da densidade de semeadura em ganho de
produtividade. Os resultados mostram que alguns híbridos respondem
positivamente ao aumento da população. Entretanto, a avaliação realizada ao
longo dos últimos três anos aponta que a escolha do material genético adequado
tem maior peso sobre a produtividade.
 

“Alguns híbridos de fato aumentam a produtividade com o
aumento da densidade de plantas, então temos um potencial de ganho de
produtividade com essa prática. Mas o que observamos, de modo geral, nos
últimos três anos, é que a escolha do material genético vai ter um peso maior sobre
a produtividade do que o aumento da densidade de plantas”, explica Daniela.
 

As avaliações conduzidas no Ctecno Parecis também buscam
antecipar respostas para desafios que podem surgir nas próximas safras. Entre
os trabalhos previstos está a continuidade das pesquisas com plantas de
cobertura e seus efeitos sobre a cultura da soja em condições de possível
déficit hídrico.
 

A expectativa é avaliar como diferentes plantas de cobertura
podem influenciar o comportamento da soja em um cenário de menor
disponibilidade de água. Entre as espécies que vêm apresentando resultados
relevantes está a braquiária, devido ao sistema radicular e ao elevado aporte
de palhada.
 

“Já observamos os benefícios do uso dessas plantas de
cobertura, principalmente essas plantas com alto aporte de palhada e sistema
radicular agressivo, como a braquiária. Para a próxima safra, temos a projeção
de alguns resultados interessantes do ponto de vista do comportamento da
cultura da soja, em função das diferentes plantas de cobertura, numa condição
de déficit hídrico”, afirma Daniela.
 

Os estudos reforçam o papel dos centros tecnológicos como
espaços de geração e validação de conhecimento para a realidade do campo. Ao
avaliar diferentes materiais, ambientes e estratégias de manejo ao longo das
safras, os trabalhos conduzidos no Ctecno Parecis contribuem para que o
produtor tenha mais informações para comparar alternativas e tomar decisões de
acordo com as características de sua propriedade.
 

Dessa forma, os resultados obtidos na pesquisa não se
limitam aos experimentos. Eles servem como base para orientar escolhas
relacionadas ao material genético, época de semeadura, população de plantas e
manejo do solo, fortalecendo a capacidade do produtor de planejar a segunda
safra de forma mais adequada às condições encontradas em cada área.

Aprosoja MT

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