Aprosoja MT participa da IX Conferência Brasileira de Pós-Colheita e acompanha debates sobre sanidade de grãos

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A Associação dos Produtores de Soja
e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), por meio da Comissão de Defesa Agrícola,
participou da IX Conferência Brasileira de Pós-Colheita, realizada em agosto,
no Pavilhão Frísia do Parque Histórico de Carambeí, no Paraná. Promovido pela
Capal, Castrolanda e Frísia Cooperativa Agroindustrial, o encontro foi
realizado em conjunto com o XIII Simpósio Paranaense de Pós-Colheita de Grãos e
reuniu pesquisadores, especialistas, empresas e representantes do setor
produtivo ligados aos diferentes segmentos da pós-colheita.

Ao longo dos três dias de
programação, a conferência apresentou painéis temáticos, palestras, debates e
sessão de trabalhos científicos, além da exposição de equipamentos e soluções
voltadas à armazenagem, secagem, conservação, movimentação, monitoramento e
controle de qualidade dos grãos.

Déficit de armazenagem pressiona
Mato Grosso

Um dos principais temas do evento
foi o diagnóstico da armazenagem de grãos no Brasil, apresentado por Paulo
Cláudio Machado Junior, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Dados
atualizados até julho de 2026 indicam que o país conta com 12.187 unidades
armazenadoras e capacidade estática de aproximadamente 226,5 milhões de
toneladas, sendo que o Centro-Oeste concentra 41% desse total, seguido por Sul
(32,9%), Sudeste (14,8%), Nordeste (7,4%) e Norte (3,9%).

Apesar da expansão da
infraestrutura, a apresentação evidenciou um déficit estrutural, já que o
crescimento da produção tem ocorrido em ritmo superior ao aumento da capacidade
estática. Em Mato Grosso, a limitação se torna mais evidente entre agosto e setembro,
quando os estoques remanescentes de soja coincidem com a entrada do milho de
segunda safra. Entre os desafios apontados estão a capacitação dos agentes
envolvidos, o fortalecimento da segregação e rastreabilidade e a
disponibilidade de linhas de crédito favoráveis para ampliar e modernizar as
estruturas nas propriedades rurais.

Mercado e escoamento reforçam
protagonismo mato-grossense

Na palestra sobre perspectivas da
safra e desafios do escoamento, Thome Luiz Freire Guth, também da Conab,
apresentou o cenário global do milho para 2026/2027, marcado por demanda
superior à produção mundial e consequente aperto nos estoques globais. No comércio
internacional, o Brasil se consolida como segundo maior exportador do grão,
respondendo por mais de um quinto das vendas externas.

O panorama das exportações
brasileiras de soja entre 2021 e 2025 confirmou a liderança isolada de Mato
Grosso no volume exportado, seguido por Paraná, Goiás, Rio Grande do Sul e Mato
Grosso do Sul. Quanto à logística, Santos (SP) mantém-se como principal
corredor de exportação, seguido por Paranaguá (PR), Rio Grande (RS), Itaqui
(MA) e Barcarena (PA), com destaque para a relevância crescente das rotas do
Arco Norte.

Sementes tóxicas e pragas
quarentenárias no foco das exportações


A palestra de Fátima Chieppe
Parizzi, da Anec/Abiove, tratou das questões fitossanitárias que impactam
diretamente a exportação de grãos, com destaque para a presença de sementes
potencialmente tóxicas e pragas quarentenárias nas cargas de soja e milho. Entre
as espécies que demandam atenção estão crotalária, mamona, corda-de-viola,
jurubeba, trombeteira, leiteiro, fedegoso, feijão-de-porco e jequiriti.

No comércio com a China, o tema
ganhou relevância nos últimos anos, com notificações registradas entre 2021 e
2025 envolvendo pragas quarentenárias e sementes tratadas em cargas de soja.
Como resposta, a cadeia produtiva brasileira intensificou o monitoramento e as
medidas de mitigação, com participação de entidades como Mapa, Anec, Abiove,
Aprosoja, CNA, CropLife, Embrapa e OCB. O controle deve começar ainda no campo,
com manejo de plantas daninhas e limpeza e regulagem adequada das máquinas, e
seguir durante descarga, pré-limpeza, armazenamento e expedição.

Micotoxinas e manejo integrado de
pragas
O painel dedicado a micotoxinas e
pragas no armazenamento reuniu as apresentações de Eduardo Micotti da Gloria,
da Esalq/USP, e de Elivânio dos Santos Rosa, da Caramuru Alimentos. As
discussões reforçaram que a prevenção é mais eficiente do que medidas
corretivas: secagem adequada, limpeza dos grãos, aeração, controle de
temperatura e monitoramento constante da massa armazenada reduzem o risco de
desenvolvimento fúngico. Foi destacado ainda que a secagem e o armazenamento
adequados não eliminam as toxinas já existentes, e que a representatividade da
amostragem é decisiva para a confiabilidade dos resultados laboratoriais.

No manejo de pragas, a orientação
foi de que o controle não dependa exclusivamente de inseticidas ou do expurgo.
A higienização de moegas, secadores, elevadores, correias e túneis figura entre
as principais medidas preventivas, já que resíduos acumulados servem de abrigo
e alimento para insetos entre uma safra e outra. O monitoramento periódico deve
orientar a decisão de intervenção, com posterior verificação da eficácia do
tratamento, e o manejo precisa contemplar também roedores e aves, especialmente
pombos.

Para a Aprosoja MT, a participação
amplia o conhecimento técnico sobre qualidade, conservação e sanidade dos
grãos, subsidiando materiais técnicos e ações de capacitação voltadas aos
produtores mato-grossenses, além de possibilitar o acompanhamento das exigências
fitossanitárias dos mercados importadores e a aproximação com pesquisadores,
instituições e demais representantes da cadeia produtiva.

Aprosoja MT

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