Explosão atômica de Hiroshima criou metal nunca visto na Terra

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A explosão da bomba atômica sobre Hiroshima, em 6 de agosto de 1945, produziu temperaturas superiores a 7.000 °C e vaporizou materiais como metais, vidro, solo e componentes de construções. Conforme esse material se misturou e esfriou rapidamente, formaram-se partículas conhecidas como hiroshimaites. Agora, cientistas identificaram dentro de uma delas uma pequena liga metálica que não corresponde a nenhuma liga industrial conhecida, segundo informações do portal Science Alert.

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Uma equipe liderada pelo geólogo Luca Bindi, da Universidade de Florença, analisou 34 amostras de hiroshimaite em busca de fases metálicas incomuns. Essas partículas preservam registros físicos das condições extremas da explosão, já que metais, vidro, solo e materiais de construção foram vaporizados, misturados e resfriados rapidamente.

Para quem tem pressa:

  • A explosão de Hiroshima atingiu temperaturas superiores a 7.000 °C;
  • Cientistas analisaram 34 amostras de hiroshimaite;
  • Um grão de apenas 10 micrômetros apresentou composição inédita;
  • Sua estrutura cristalina não corresponde a ligas industriais conhecidas;
  • A liga pode ter surgido do resfriamento extremamente rápido após a explosão.

Material surgiu em condições extremas

A análise encontrou diversos fragmentos microscópicos de uma liga rica em ferro e cromo. A maioria apresentava características compatíveis com o esperado para materiais desse contexto. Um dos grãos, porém, chamou a atenção por conter uma quantidade muito maior de silício do que as partículas metálicas próximas.

O fragmento tinha apenas 10 micrômetros e era composto principalmente por ferro e outros metais. (Imagem: Bindi et al., Sci. Adv., 2026)
O fragmento tinha apenas 10 micrômetros e era composto principalmente por ferro e outros metais – Imagem: Bindi et al., Sci. Adv., 2026

O fragmento tinha apenas cerca de 10 micrômetros e era composto principalmente por ferro, além de cromo, silício, níquel, molibdênio, manganês e alumínio. Para investigar sua estrutura, os pesquisadores selecionaram quatro grãos e os retiraram cuidadosamente da amostra usando pequenas agulhas.

Estrutura dos átomos revelou a novidade

Os cientistas utilizaram difração de raios X de cristal único para descobrir como os átomos estavam organizados dentro dos fragmentos. Três grãos usados como comparação apresentaram a estrutura cúbica de corpo centrado, característica esperada para o aço comum.

Sua estrutura cristalina complexa não corresponde a ligas industriais ou materiais conhecidos. (Imagem: Bindi et al., Sci. Adv., 2026)
Sua estrutura cristalina complexa não corresponde a ligas industriais ou materiais conhecidos – Imagem: Bindi et al., Sci. Adv., 2026

O fragmento rico em silício apresentou outro resultado. Seus átomos estavam organizados em uma estrutura cúbica muito mais complexa e ordenada, conhecida como estrutura do tipo AlAu₄, derivada da estrutura do beta-manganês. A combinação entre sua composição química e essa organização cristalina não corresponde a ligas industriais conhecidas ou a produtos de explosões anteriormente identificados.

Os pesquisadores acreditam que a liga surgiu quando o material vaporizado pela explosão se condensou e sofreu um resfriamento extremamente rápido. Em condições normais, uma massa metálica desse tipo poderia formar uma estrutura mais simples durante um resfriamento lento. Nesse caso, porém, a velocidade do processo pode ter preservado uma configuração mais complexa antes que os átomos alcançassem uma forma mais estável.

Hiroshima pode guardar outros materiais desconhecidos

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A descoberta indica que partículas produzidas por explosões nucleares podem esconder outras fases metálicas raras e instáveis. Como algumas dessas estruturas possuem apenas alguns micrômetros, elas podem passar despercebidas mesmo em análises detalhadas. Os pesquisadores consideram que esses resíduos podem funcionar como uma espécie de registro microscópico das condições extremas criadas pelas explosões.

A liga pode ter surgido quando materiais vaporizados se condensaram e esfriaram rapidamente. (Imagem: Bindi et al., Sci. Adv., 2026)
A liga pode ter surgido quando materiais vaporizados se condensaram e esfriaram rapidamente – Imagem: Bindi et al., Sci. Adv., 2026

O estudo também reforça uma característica particular desses eventos: uma explosão nuclear combina temperaturas extremas, mistura violenta de materiais e resfriamento extremamente rápido em poucos segundos. Essa combinação cria condições capazes de produzir estruturas que seriam difíceis de obter deliberadamente em laboratório.

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Apesar do interesse científico, a descoberta está diretamente ligada a uma das maiores tragédias da história. O material analisado surgiu dos resíduos da destruição causada pela bomba atômica em Hiroshima. Por isso, os pesquisadores destacam que o estudo precisa considerar o sofrimento humano associado à origem dessas amostras, tratando o conhecimento científico obtido a partir delas com respeito e cautela.

Ana Luiza Figueiredo

Ana Luiza Figueiredo

Ana Figueiredo é repórter de tecnologia do Olhar Digital. É formada em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

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