Fonte de rádio incomum na Via Láctea desafia cientistas ao passar 20 anos ativa sem emitir raios X 

Publicidade

– FIQUE ATUALIZADO: Entre no nosso grupo de notícias e siga nossas redes sociais

Uma fonte transitória de rádio identificada na Via Láctea permanece ativa há mais de 20 anos sem apresentar emissão de raios X. A descoberta, relatada em um artigo disponível para revisão de pares no repositório de pré-impressão arXiv, desafia o comportamento esperado para as classes conhecidas de fontes de rádio galácticas.

Continua após a publicidade

Denominado  VT J1906+0849, o objeto foi detectado no levantamento Very Large Array Sky Survey e é o transiente mais brilhante registrado pelo programa, de acordo com um comunicado. A investigação é liderada por pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), nos EUA, que combinaram dados de arquivo com novas medições em múltiplos comprimentos de onda.

Evolução do objeto VT J1906+0849 ao longo dos anos: invisível em 1996, ele aparece pela primeira vez em arquivos de 2005 e surge brilhante na sua descoberta oficial, em 2017, mantendo a mesma escala de brilho.
Evolução do objeto VT J1906+0849 ao longo dos anos: invisível em 1996, ele aparece pela primeira vez em arquivos de 2005 e surge brilhante na sua descoberta oficial, em 2017, mantendo a mesma escala de brilho. – Crédito: Jessie M. Miller et al, arXiv (2026)

Variação de brilho, localização compacta e ausência de Raios X 

A análise do histórico da fonte revelou que seu brilho aumentou pelo menos seis vezes em um período de 21 anos. Registros de 2005 mostravam a fonte com menor intensidade, atingindo um pico de emissão por volta de 2014, seguido por uma redução e um novo aumento no final de 2025.

Medições realizadas pelo Very Long Baseline Array (VLBA), uma rede de radiotelescópios espalhados pelos EUA que funciona como um único observatório de alta resolução, indicam que a região emissora é extremamente compacta e está localizada a uma distância estimada entre 49 mil e 104 mil anos-luz da Terra. Observações do telescópio espacial Swift não detectaram nenhuma emissão de raios X associada ao objeto no período analisado. 

Os transientes de rádio costumam apresentar um pico rápido de brilho seguido por um declínio gradual. O VT J1906+0849 não segue esse padrão, mantendo emissões por duas décadas sem apresentar expansão espacial, apesar de os dados indicarem gás em movimento a milhares de quilômetros por segundo.

Modelos tradicionais são descartados e apontam para acreção por objeto compacto 

Processos como explosões de novas, binárias ativas e estrelas de erupção foram descartados por não possuírem luminosidade suficiente para explicar os dados. A temperatura de brilho da fonte atinge entre 100 milhões e 10 bilhões de Kelvin, o que descarta uma origem térmica associada à formação de estrelas.

Fonte misteriosa da Via Láctea emite rádio há 20 anos, aumenta o brilho e segue invisível em raios X.
Fonte misteriosa da Via Láctea emite rádio há 20 anos, aumenta o brilho e segue invisível em raios X. – Crédito: Imagem gerada por IA

A elevada temperatura aponta para uma origem não térmica, como a radiação síncrotron. Esse mecanismo ocorre quando elétrons em altas velocidades giram em torno de campos magnéticos intensos. Embora pulsares jovens gerem esse tipo de radiação, eles evoluem ao longo de séculos, enquanto o objeto em questão mudou em poucos anos.

Diante desses fatores, a equipe de pesquisadores sugere que o mecanismo mais provável é a acreção sustentada de matéria em um objeto compacto, como um buraco negro ou uma estrela de nêutrons. Esse processo alimentaria o lançamento contínuo de um jato com partículas e campos magnéticos.

Vento denso bloqueia raios X e sugere revelação de nova classe cósmica 

A ausência de raios X é explicada pela presença de um vento denso de gás originado no disco de acreção. Esse vento cobriria a região central, bloqueando a emissão direta de raios X e impedindo a expansão visível da fonte de rádio observada pelos telescópios.

Continua após a publicidade

Dados no infravermelho próximo mostraram linhas de emissão com desvio para o azul, indicando que parte desse vento denso está se movendo na direção da Terra. Essa estrutura possui semelhanças com o microquasar SS 433, onde ventos densos interagem com os jatos do objeto central.

Infográfico mostra a hipótese para o VT J1906+0849: acreção contínua em objeto compacto, com jato de rádio e vento denso.
Infográfico mostra a hipótese para o VT J1906+0849: acreção contínua em objeto compacto, com jato de rádio e vento denso. – Crédito: Imagem gerada por IA

A confirmação da natureza do VT J1906+0849 depende de novas análises no infravermelho e de observações em raios X duros. Se a hipótese for confirmada, o objeto representará o primeiro membro identificado de uma nova classe de sistemas compactos em acreção brilhantes em rádio e ocultos em raios X.

!function(f,b,e,v,n,t,s){
if(f.fbq)return;
n=f.fbq=function(){n.callMethod?n.callMethod.apply(n,arguments):n.queue.push(arguments)};
if(!f._fbq)f._fbq=n;n.push=n;n.loaded=!0;n.version=’2.0′;
n.queue=[];t=b.createElement(e);t.async=!0;
t.src=v;s=b.getElementsByTagName(e)[0];
s.parentNode.insertBefore(t,s)
}(window, document,’script’, ‘https://connect.facebook.net/en_US/fbevents.js’);
fbq(‘init’, ‘1221644929160171’);
fbq(‘track’, ‘PageView’);

Olhar Digital

Compartilhe essa Notícia:

publicidade

publicidade

plugins premium WordPress