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A Meta lançou, nesta quinta-feira (15), o Muse Spark Open, modelo de inteligência artificial (IA) de peso aberto voltado a tarefas complexas de programação, raciocínio e execução de atividades por agentes de IA. A novidade chama a atenção por ter sido otimizada para funcionar diretamente em computadores da Apple, em colaboração entre duas empresas que historicamente disputam espaço no setor de tecnologia.
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De acordo com a Meta, o modelo reúne 816 bilhões de parâmetros e conta com janela de contexto de até um milhão de tokens. Os pesos estão disponíveis para download, permitindo que desenvolvedores executem e adaptem a tecnologia em suas próprias infraestruturas, dentro das condições estabelecidas pela licença.
A iniciativa também representa aposta na execução local de modelos avançados, reduzindo a dependência de serviços de IA hospedados exclusivamente na nuvem.
Como funciona o Muse Spark Open?
O Muse Spark Open foi desenvolvido para lidar com tarefas que exigem várias etapas de raciocínio, projetos complexos de software e atividades executadas por agentes de IA. Diferentemente de assistentes que apenas respondem a perguntas, esses agentes podem trabalhar em sequências de ações para atingir um objetivo.
O modelo é multimodal: consegue receber informações em texto, imagens, áudio e vídeo, embora sua saída seja textual. Segundo a documentação técnica da Meta, ele utiliza arquitetura chamada mixture of experts (mistura de especialistas).
Embora tenha 816 bilhões de parâmetros no total, cerca de 42 bilhões ficam ativos para cada token processado. Isso permite concentrar o processamento em partes específicas da rede neural, sem dispensar a memória necessária para manter o modelo completo carregado.
A Meta afirma que a tecnologia foi projetada para trabalhos prolongados de programação, engenharia de software e raciocínio em múltiplas etapas. O modelo também pode ser personalizado por desenvolvedores.
Por que são necessários dois Macs potentes?
- A empresa trabalhou com a Apple para otimizar a execução do modelo por meio do MLX, estrutura de aprendizado de máquina desenvolvida para os chips da companhia;
- A configuração destacada pelas empresas utiliza dois computadores Mac Studio equipados com chips M5 Ultra, cada um com até 512 GB de memória unificada. Juntos, os equipamentos podem oferecer até 1 TB de memória para manter o modelo disponível durante a execução;
- A arquitetura dos chips da Apple permite que a GPU integrada acesse a memória unificada. Segundo a Meta, a largura de banda de memória do M5 Ultra chega a 1,2 TB/s, característica importante para alimentar o processamento de modelos dessa dimensão;
- Na prática, isso significa que executar o Muse Spark Open localmente exige equipamentos de alto desempenho e não é opção viável para qualquer Mac. A configuração apresentada é voltada principalmente a desenvolvedores e equipes com recursos para montar infraestrutura robusta;
- A empresa demonstrou o modelo em tarefas que incluem alterações em aplicativo de peso aberto para Mastodon, com correções de erros, novos recursos e compilação do projeto. Também mostrou o sistema trabalhando com o DaVinci Resolve, software de edição de vídeo, para analisar imagens e selecionar trechos que poderiam ser recortados em formato vertical.
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Modelo pode ser usado fora dos computadores da Apple
Apesar da parceria com a Apple, o Muse Spark Open não está restrito aos Macs. A Meta disponibilizou os pesos para download e anunciou acesso por plataformas de API, incluindo Baseten, Fireworks AI, Groq, Modal, Nebius, OpenRouter e Together AI.
O modelo também é compatível com diferentes ferramentas de execução, entre elas SGLang, vLLM, TensorRT-LLM, Hugging Face Transformers, MLX e llama.cpp. Há configurações voltadas a diferentes tipos de hardware, incluindo aceleradores de empresas, como AMD, Intel e Nvidia.
A documentação técnica descreve versões com diferentes formatos de precisão. O formato BF16 ocupa aproximadamente 1,65 TB em pesos, enquanto a versão compactada NVFP4 tem cerca de 537 GB. Mesmo a versão menor exige infraestrutura de memória considerável para funcionar, além do espaço necessário para os próprios pesos.
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O que significa ter pesos abertos?
Modelos de pesos abertos disponibilizam os parâmetros treinados para que outras pessoas possam baixar, executar e, conforme as condições da licença, adaptar a tecnologia. Isso oferece mais flexibilidade do que sistemas proprietários, cujo funcionamento depende exclusivamente dos serviços controlados pela empresa desenvolvedora.
A abordagem também pode facilitar a execução de tarefas dentro da infraestrutura de uma organização, ampliando o controle sobre dados e processos. Por outro lado, rodar modelos grandes localmente exige hardware, conhecimento técnico e recursos para manutenção.
A disponibilização dos pesos do Muse Spark Open não significa, porém, que o modelo seja inteiramente de código aberto ou que não existam restrições. A Meta utiliza a Muse Model License, que prevê condições específicas para o uso comercial.
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Com o lançamento, a companhia amplia sua aposta em modelos que desenvolvedores podem executar e adaptar, enquanto a parceria com a Apple demonstra como computadores pessoais de alto desempenho podem ser usados para tarefas de IA que, até então, eram frequentemente associadas a grandes infraestruturas de servidores.
Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.













