O trailer de Nárnia: O Sobrinho do Mago trouxe de volta uma pergunta que ronda Hollywood: por que a indústria aposta tantas vezes em histórias que já conhecemos? De Harry Potter ao live-action de Moana, revisitar universos famosos pode render novas experiências, mas também levanta dúvidas sobre o espaço que sobra para ideias originais. Nesta edição, discutimos o que está por trás dessa preferência e por que ela merece atenção.
Continua após a publicidade
Além disso, Reese Witherspoon retoma o controle de sua produtora, a Netflix muda o comando de conteúdo e um novo filme de A Múmia ganha título oficial. Também reunimos as principais estreias nos cinemas e o que chega aos streamings nos próximos dias.
Entre remakes e franquias, onde ficam as ideias originais?
O trailer de Nárnia: O Sobrinho do Mago, novo filme de Greta Gerwig, reacendeu uma discussão recorrente em Hollywood: por que a indústria volta tantas vezes às mesmas histórias? A produção vai adaptar pela primeira vez para o cinema um dos livros de C. S. Lewis, mas chega a um universo que já ganhou três filmes entre 2005 e 2010. É uma história nova nas telas, dentro de um mundo que o público já conhece.
Revisitar universos conhecidos não é necessariamente um problema. Uma nova adaptação pode explorar aspectos que ficaram de fora de versões anteriores, apresentar uma obra a outra geração ou encontrar maneiras diferentes de contar uma história. A questão fica mais complicada quando a indústria parece cada vez mais dependente de propriedades intelectuais que já têm público estabelecido.
É o caso de Harry Potter, que ganhará uma série da HBO começando novamente por A Pedra Filosofal, história que abriu a franquia cinematográfica em 2001. A produção terá mais tempo para explorar os livros, mas também precisará justificar por que essa versão merece existir além da força de uma marca consagrada.
O live-action de Moana torna essa discussão ainda mais evidente. A animação original chegou aos cinemas em 2016, e sua nova versão estreou em 2026. Em menos de uma década, a Disney decidiu recontar a mesma aventura, agora com atores reais.
A escolha pode oferecer uma experiência visual diferente, mas também levanta uma pergunta incômoda: o que leva um estúdio a investir em uma história tão recente, em vez de apostar em personagens e mundos que ainda não chegaram às telas?
Nem toda expansão de franquia segue exatamente essa lógica. Jogos Vorazes: Amanhecer na Colheita, por exemplo, volta ao passado de Haymitch, personagem importante da saga, para contar uma história que amplia o universo criado por Suzanne Collins.
É uma maneira de explorar outras perspectivas sem simplesmente refazer os filmes anteriores. O problema não está em continuar uma história ou retornar a personagens conhecidos, mas no espaço que essas produções ocupam quando comparadas às ideias inteiramente novas.
Os números ajudam a dimensionar essa preferência. Um levantamento publicado pela The Wrap em parceria com o National Research Group (NRG) aponta que apenas cinco dos 60 filmes de maior desempenho comercial nos cinemas entre 2016 e 2024 eram produções originais, sem ligação com propriedades intelectuais preexistentes ou franquias.
O relatório também identifica sinais de mudança em 2025, quando títulos como Pecadores e A Hora do Mal encontraram seu público. Ou seja, existe espaço para histórias novas — mas elas são minoria entre os grandes sucessos comerciais do período analisado.
Não é difícil entender o apelo das franquias para os estúdios. Em uma indústria que movimenta grandes orçamentos, apostar em personagens conhecidos pode parecer menos arriscado do que apresentar um universo inteiramente novo.
Continua após a publicidade
Marcas estabelecidas facilitam a divulgação e já contam com uma base de fãs interessada. O risco é transformar essa segurança em regra e deixar cada vez menos espaço para projetos sem uma audiência previamente conquistada.
Voltar a Nárnia pode ser uma ótima escolha, assim como descobrir novas histórias em Jogos Vorazes. O que merece atenção é a diferença entre revisitar um universo porque ainda há algo interessante a dizer e fazê-lo porque o reconhecimento do público parece uma garantia mais confortável de retorno financeiro.
A criatividade de Hollywood não desapareceu, mas precisa de investimento e oportunidade para chegar às telas. Se os estúdios continuarem concentrando suas grandes apostas no que já conhecemos, quantas histórias novas deixarão de ser contadas?
Otras cositas más sobre filmes e streaming
A Netflix teve uma semana movimentada nos bastidores. Depois de anunciar o corte de cerca de mil funcionários, a empresa confirmou a saída de Bela Bajaria, diretora de conteúdo, que será substituída por Peter Rice, ex-executivo da Disney e da Fox. Ele assume o cargo em 26 de outubro, em meio à disputa por audiência com plataformas como YouTube e TikTok.
Continua após a publicidade
Reese Witherspoon está de volta ao comando de sua produtora. A atriz se uniu à francesa Mediawan para recomprar a participação majoritária da Hello Sunshine, cinco anos depois de a empresa ter sido avaliada em US$ 900 milhões na venda do controle para a Candle Media. A produtora é responsável por séries como Big Little Lies, The Morning Show e Little Fires Everywhere.
Falando em produção independente, uma aliança de grandes agências e produtores de Hollywood quer mudar a forma como os estúdios investem em conteúdo. A American Entertainment Alliance, que reúne empresas como CAA, WME e UTA, além de produtores como Jason Blum e Ron Howard, está defendendo uma proposta legislativa para que grandes companhias destinem metade de seus orçamentos de conteúdo original a projetos independentes produzidos nos Estados Unidos. A iniciativa ainda é uma proposta, não uma regra aprovada.
Continua após a publicidade
E tem novidade para quem gosta de aventura e múmias amaldiçoadas. O quarto filme da franquia estrelada por Brendan Fraser e Rachel Weisz ganhou título oficial: The Mummy: Book of the Dead. A dupla retorna aos papéis de Rick e Evie O’Connell no longa, que ainda não teve detalhes da trama revelados. A estreia nos cinemas está marcada para 15 de outubro de 2027.
Principais estreias no cinema
Street Fighter
Ambientado em 1993, o filme acompanha Ryu (Andrew Koji) e Ken Masters (Noah Centineo), dois lutadores recrutados por Chun-Li (Callina Liang) para disputar o World Warrior Tournament. O que começa como um campeonato de artes marciais esconde uma conspiração mortal, e a dupla precisará enfrentar os próprios demônios do passado para sobreviver.
Dentro da Baleia
Em busca dos restos mortais do pai, o jovem mergulhador Jay Gardiner (Austin Abrams) acaba engolido por uma baleia-cachalote de 25 metros. Com apenas uma hora de oxigênio, ele precisa encontrar uma saída enquanto enfrenta uma jornada física e emocional para superar o luto e redescobrir a vontade de viver.
Continua após a publicidade
Sacrifício
Um evento beneficente de luxo se transforma em pesadelo quando um grupo radical invade o local para roubar um artefato místico que, segundo uma profecia, pode mudar o destino da humanidade. Feitos reféns, os convidados precisam lutar pela sobrevivência enquanto segredos sobre o objeto vêm à tona e uma ameaça ainda maior se revela.
Também acabou de chegar…
- Tyson – A docussérie relembra a trajetória do boxeador Mike Tyson, da infância ao estrelato e às controvérsias. Estreou na Netflix na terça-feira (13);
- VisionQuest – Em busca de um novo propósito, Visão precisa fugir com um jovem misterioso e enfrentar inteligências artificiais como Ultron. Estreou no Disney+ na terça-feira (13);
- Casamento às Cegas – Temporada 11 – Solteiros tentam encontrar o amor sem conhecer a aparência dos pretendentes. Estreou na Netflix na quarta-feira (14);
- Verdade Oculta – Temporada 2 – Após ganhar um prêmio por seu trabalho jornalístico, Lee conhece Ginger, uma defensora pública que também busca a verdade. Estreou no Disney+ na quarta-feira (14);
- Helluva Boss – Temporada 3, parte 1 – A equipe da IMP encara novas missões perigosas e conflitos pessoais nos três primeiros episódios da temporada. Estreou no Prime Video na quarta-feira (14);
- A Diplomata – Temporada 4 – Kate enfrenta uma conspiração política que pode levar os Estados Unidos a uma guerra com a Rússia. Estreou na Netflix na quinta-feira (15);
- Corregidora: A noite mais sombria do futebol mexicano – O documentário investiga a violenta batalha campal ocorrida em 2022 no estádio La Corregidora, no México. Estreou na HBO Max na quinta-feira (15);
- Epitáfios – Na série policial remasterizada, um ex-policial investiga assassinatos ligados a uma tragédia do passado. Chegou à HBO Max na quinta-feira (15);
- Marília Mendonça: Sentimento Louco – A série documental relembra a trajetória e o legado da cantora com depoimentos de artistas brasileiros. Estreou no Prime Video na sexta-feira (16).
O que chega aos streamings nesta semana
O que esperar para a próxima semana nos streamings?
- Largados e Pelados Brasil – Temporada 4 – Dez participantes tentam sobreviver na Savana Negra, na África do Sul, região marcada pela seca e pela presença de animais perigosos. Estreia na HBO Max no domingo (18);
- Fingida – Após um acidente de carro, um adolescente acorda no hospital e descobre que sua mãe parece ter sido substituída por uma impostora. Estreia no Disney+ na terça-feira (20);
- Six Kings Slam – O torneio de tênis reúne seis estrelas do circuito, incluindo Jannik Sinner, Carlos Alcaraz e Novak Djokovic. A Netflix transmite o evento ao vivo na quarta-feira (21), com partidas também nos dias 22 e 24;
- A Lista Terminal – Temporada 2 – O comandante James Reece investiga as forças por trás da emboscada que matou seu pelotão e parte em busca dos responsáveis. Estreia no Prime Video na quarta-feira (21);
- Ninguém Quer – Temporada 3 – Joanne e Noah começam uma nova fase juntos, enquanto amigos do casal encaram os altos e baixos da vida amorosa. Estreia na Netflix na quinta-feira (22);
- Devorador – Durante uma viagem a uma mansão isolada na Irlanda, uma jovem enlutada e seus amigos despertam uma criatura da mitologia local. Estreia na HBO Max na sexta-feira (23);
- Michael – O filme retrata o início da trajetória de Michael Jackson, desde a descoberta de seu talento no Jackson Five até a ambição de se tornar o maior artista do mundo. Estreia no Prime Video na sexta-feira (23);
- Lupin – Parte 4 – Assane está preso quando uma série de roubos atribuídos a um misterioso imitador o obriga a escapar para provar sua inocência. Estreia na Netflix na sexta-feira (23).
Ana Luiza Figueiredo
Ana Figueiredo é editora de tecnologia do Olhar Digital. É formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).












