Meta derruba e restaura vídeo de MC Cabelinho sobre Flávio Bolsonaro

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A Meta removeu temporariamente do Instagram um vídeo do cantor MC Cabelinho que critica a trajetória política e propostas de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República. A publicação foi retirada do ar nesta quinta-feira (22), a três dias do segundo turno das eleições, mas acabou restaurada pela plataforma no mesmo dia.

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O vídeo é uma chamada para o episódio “Flavinho de Papai”, da série jornalística Revelando, cujo conteúdo completo continua disponível no YouTube. A produção questiona a trajetória profissional do senador e suas propostas para áreas como saúde e educação.

Segundo a Meta, a remoção ocorreu por causa das restrições a conteúdos gerados ou alterados por inteligência artificial (IA) durante o período eleitoral. A equipe responsável pelo projeto, porém, nega que tenha utilizado a tecnologia no vídeo e contesta a decisão da empresa.

Em resposta à imprensa, a Meta afirmou que restringe conteúdos produzidos ou alterados por IA nas 72 horas anteriores à votação, no dia da eleição e nas 24 horas seguintes, conforme as regras aplicáveis às eleições de 2026. Para o segundo turno, o período de restrição começou à meia-noite de 22 de outubro e termina às 23h59 de 26 de outubro, segundo a empresa.

A Meta explicou que aplicativos de edição de imagens, vídeos e áudios podem utilizar recursos de IA e incorporar aos arquivos sinais técnicos que indicam esse uso. Seus sistemas identificam esses sinais automaticamente e podem tornar o conteúdo indisponível no Brasil durante o período determinado.

A equipe do Revelando, entretanto, afirmou que não utilizou IA na produção ou finalização do teaser. Segundo os responsáveis, o material emprega imagens ilustrativas de bancos de imagens licenciados.

A produção também contestou a classificação do conteúdo como material eleitoral sujeito às restrições, argumentando que o projeto tem caráter jornalístico.

O que o vídeo diz sobre Flávio Bolsonaro?

  • Intitulado “Flavinho de Papai”, o episódio apresentado por MC Cabelinho aborda a trajetória política do senador e questiona como ele conciliou diferentes atividades profissionais e acadêmicas no início da vida adulta;
  • A reportagem destaca o período entre 2000 e 2002, quando Flávio tinha 19 anos. Segundo o conteúdo, ele cursava Direito presencialmente no Rio de Janeiro, fazia estágio voluntário duas vezes por semana na cidade e ocupava um cargo de 40 horas semanais na Câmara dos Deputados, em Brasília;
  • A produção questiona como o senador conseguia conciliar as atividades que exigiam presença física em duas cidades separadas por mais de mil quilômetros;
  • O episódio também estabelece um contraste entre a trajetória do político e a experiência de jovens de comunidades, como o próprio MC Cabelinho. O cantor aborda a importância de políticas públicas de educação, saúde e assistência social para a ascensão profissional.

Leia mais:

Projeto já havia enfrentado outra remoção

O episódio com MC Cabelinho não foi o primeiro conteúdo do Revelando a enfrentar restrições no Instagram.

Em setembro, a Meta retirou temporariamente do ar o perfil do projeto depois da publicação de um episódio apresentado pelo humorista Fábio Porchat. O conteúdo abordava relações entre o Banco Master, a Igreja Batista da Lagoinha e figuras políticas, incluindo Flávio Bolsonaro.

Na ocasião, a plataforma restabeleceu a conta e pediu desculpas pelo ocorrido.

Em outubro, o projeto também publicou um episódio chamado “República dos Laranjas”, apresentado por Porchat, que abordava empresas, operações financeiras e relações de Flávio com personagens investigados no caso do Banco Master.

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A repetição de episódios envolvendo a remoção de conteúdos políticos colocou a atuação da Meta sob maior escrutínio às vésperas da votação.

Ministério Público questiona moderação eleitoral

A retirada de publicações políticas também está no centro de questionamentos do Ministério Público Federal (MPF). Na quarta-feira (21), o órgão recomendou que a Meta adotasse medidas para evitar remoções de conteúdos e suspensões de contas sem justificativas jurídicas ou contratuais específicas.

Segundo informações divulgadas sobre o caso, a empresa informou ter bloqueado automaticamente 206.910 conteúdos entre 1º e 5 de outubro, com base em critérios relacionados ao período eleitoral e à identificação de possíveis sinais de IA.

O MPF questionou a falta de explicações individualizadas em parte das decisões e pediu mais transparência, além de revisão humana de medidas automatizadas. O órgão também defendeu a aplicação igualitária das regras, independentemente da orientação política dos responsáveis pelas publicações.

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A discussão ocorre em meio à preocupação com a capacidade das plataformas de distinguir conteúdos sintéticos proibidos de materiais jornalísticos ou políticos que possam ser sinalizados automaticamente por ferramentas de edição.

No caso do vídeo de MC Cabelinho, a Meta restaurou a publicação após a remoção temporária. A controvérsia, porém, evidencia o desafio de aplicar as restrições a conteúdos com IA sem atingir indevidamente materiais que não tenham sido produzidos com essa tecnologia.

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

Olhar Digital

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