Entre a crença interminável e a ascensão meteórica, Ferroviária e Maringá decidem a Série C

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De um lado, uma Locomotiva que aprendeu a acreditar até o último minuto. Do outro, um Dogão que precisou superar turbulências para alcançar um patamar inédito. Depois do empate em 1 a 1 no Paraná, Ferroviária e Maringá decidem neste sábado (24), na Fonte Luminosa, o título da Série C. Mais do que coroar o acesso à segunda divisão, a decisão dará a um dos clubes sua primeira taça nacional.

Enquanto a Ferroviária aposta na força da Fonte Luminosa e na fama de decidir partidas nos minutos finais, o Maringá confia no trabalho de um jovem treinador para conquistar o título em apenas sua segunda participação na Série C. Para isso, o clube paranaense precisará evitar justamente aquilo que se tornou uma especialidade grená: os gols tardios.

Ferroviária faz valer lema

A Ferroviária teve de superar um momento muito turbulento para chegar até aqui. Há pouco menos de um ano, a Locomotiva foi rebaixada para a Série C, apenas um ano depois de subir, e passou por um momento de reformulação, que viria a ser muito glorioso. 

A equipe de Araraquara começou o ano mesclando muitos jovens das categorias de base com alguns remanescentes, tudo isso sob o comando de Rogério Corrêa. Os resultados foram positivos, com dois acessos, o primeiro para a elite paulista e o segundo na competição nacional, e duas disputas por título.

Na primeira, diante do Juventus, a Ferroviária amargou o vice-campeonato de forma melancólica, sofrendo um tardio gol dentro de casa enquanto tinha um jogador a mais em campo. Para o confronto frente ao Maringá, a expectativa é de fazer valer a força em Araraquara (nove vitórias, dois empates e duas derrotas na Série C) e conquistar a primeira taça nacional da história. 

Um dos principais nomes da campanha gloriosa neste ano é Vitor Barreto. Em sua quarta temporada pela Locomotiva, o ponta esquerda de 26 anos chegou ao quarto acesso e vive sua temporada mais goleadora, com 12 gols em 43 jogos. Resta, porém, o título da Série C para fechar 2026 com chave de ouro.

“Eu ainda não tenho título pela Ferroviária. E eu quero mais do que tudo. A gente conta com a torcida, com a festa linda que eles têm feito nos últimos jogos. E que a gente possa estar unido, para que possamos fechar esse ano da Ferroviária com o título. É o nosso maior sonho”, disse o atleta a oGol.

Os gols nos minutos finais se tornaram uma marca da campanha grená. Em diversas vezes a equipe grená mostrou garra até os últimos minutos para garantir vitórias, arrancar empates e até virar partidas ao seu favor. Tudo isso com um lema da torcida: “A Ferroviária é para quem acredita”.

“Essa frase aí é o que realmente acontece. É para quem acredita mesmo. Alguns até brincam que não é fácil torcer para a Ferroviária. É muita luta, sempre é mais difícil. Mas esse ano a gente provou que, se a gente quiser, a gente consegue. A gente uniu todos em prol de um só: a Ferroviária. É puro sentimento, é amor, é paixão. Acreditar é a palavra que mais define a Ferroviária”, seguiu dizendo o jogador.

Maringá em ascensão meteórica

Do outro lado chega o Maringá, clube fundado em 2010 que estreou na Série C em 2025 e, um ano depois, garantiu o inédito acesso para a segunda divisão nacional. O protagonismo, porém, não é exatamente uma novidade: em 2014, logo em sua estreia na elite estadual, o clube chegou à decisão.. Foram seis participações na quarta divisão de lá para cá, com o acesso vindo em 2024.

Sob o comando do jovem treinador Ivan Campanari, o Dogão mescla nomes mais experientes, como Serginho, Jesiel e Guilherme Neto, e destaques mais jovens, tais quais Caíque Calito, Edison Negueba e Ronald Camarão. Dentro das quatro linhas, a estratégia parece ter funcionado.

O caminho até a decisão, porém, foi turbulento. Sob o comando de Rodrigo Chipp, o Maringá não engrenou no estadual e chegou a brigar contra o rebaixamento. Moisés Egert assumiu posteriormente, mas também não encontrou a regularidade esperada e acabou demitido na 16ª rodada da Série C.

O Dogão entrou no quadrangular final apontado como um dos azarões, em em um grupo com Botafogo da Paraíba e Santa Cruz. Porém, o clube não só garantiu o acesso, como terminou na primeira colocação de seu grupo e confirmou a vaga na final. Muito disso pelo sucesso de alguns atletas, como o “artilheiro dos golaços” Ronald Camarão.

“A motivação é o melhor possível, está lá no alto. Esse grupo sempre trabalhou bem, independente dos resultados. No começo do ano, teve os resultados negativos, mas o grupo nunca deixou de trabalhar e agora com acesso a Série B e disputando a final, é o melhor momento possível, acreditando que vai ser um grande jogo lá no sábado”, falou o atacante em entrevista a oGol.

Diante de uma Ferroviária acostumada a empilhar emoções nos minutos finais, Ivan Campanari já deixou o alerta: será preciso “ficar atento aos 100 minutos”. O histórico recente justifica a preocupação. O Dogão sofreu gols tardios diante do Santa Cruz, no quadrangular, e na primeira partida da decisão.

Na Fonte Luminosa, onde a Locomotiva aprendeu a acreditar até o último apito, a atenção do Maringá será colocada à prova mais uma vez. E, desta vez, com uma taça nacional em jogo.

Notícias ogol.com.br

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