Embora a ciência venha provando que os neandertais eram muito mais parecidos conosco do que se imaginava, uma nova pesquisa indica que os bebês dessa espécie extinta tinham um desenvolvimento radicalmente diferente. A análise de um esqueleto infantil de mais de 50 mil anos revelou que esses pequenos pré-históricos eram verdadeiros “gigantes” quando comparados aos bebês Homo sapiens.
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O fóssil em questão foi encontrado na caverna de Amud, em Israel, e é o exemplo de bebê neandertal mais completo já descoberto. Composto por 111 fragmentos esqueléticos, o espécime permitiu que cientistas desvendassem padrões de crescimento que desafiam o que conhecemos sobre a infância humana, de acordo com o IFLScience.

Análises anteriores dos dentes do bebê de Amud indicaram que ele morreu com aproximadamente 5,5 meses de idade. No entanto, ao examinar o restante do esqueleto, os pesquisadores descobriram que o indivíduo tinha o tamanho de um bebê humano moderno com mais que o dobro de sua idade.
As proporções ósseas impressionam:
- Membros superiores: equivalentes aos de um bebê humano de 13,7 meses.
- Membros inferiores: compatíveis com crianças modernas de 12 a 14 meses.
- Altura estimada: entre 70,3 e 78,6 centímetros, porte semelhante ao de um menino de um ano e dois meses.
De acordo com o estudo publicado na Current Biology, isso sugere que os neandertais seguiam um padrão de crescimento acelerado logo nos primeiros meses de vida, atropelando o ritmo de desenvolvimento da nossa espécie.
Estratégia de sobrevivência no gelo
A teoria dos pesquisadores é que esse crescimento explosivo era uma ferramenta de sobrevivência. Os neandertais evoluíram no clima gélido da Eurásia, onde corpos maiores eram fundamentais para gerar e reter calor. Em contrapartida, o Homo sapiens surgiu na África, onde as condições quentes não exigiam tal esforço energético dos bebês.
Essa necessidade de produzir calor demandava um gasto de energia altíssimo, refletido em uma anatomia que já nascia “robusta”. Mesmo com apenas cinco meses, o bebê de Amud já apresentava características clássicas da espécie, como uma clavícula forte e a primeira costela reta.
Desenvolvimento intrauterino similar
Curiosamente, estudos recentes indicam que o desenvolvimento do feto neandertal dentro do útero era muito similar ao dos humanos modernos. Isso significa que as duas espécies provavelmente nasciam com tamanhos parecidos.
A grande divergência ocorria após o nascimento: enquanto os bebês humanos investem energia em um desenvolvimento cerebral e físico mais lento e prolongado, os neandertais disparavam em tamanho nos primeiros meses para enfrentar a dureza do ambiente hostil em que viviam.











