Olhar para o Universo é olhar para o passado.
Isso acontece porque a luz, apesar de ser a coisa mais rápida que conhecemos, não viaja instantaneamente. Ela percorre cerca de 300 mil quilômetros por segundo. Em um ano, atravessa aproximadamente 9,46 trilhões de quilômetros. É essa distância que os astrônomos chamam de ano-luz.
Ou seja: ano-luz não é uma medida de tempo. É uma medida de distância. Mas, no espaço, distância e tempo acabam andando juntos.
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O exoplaneta conhecido mais próximo de nós é Proxima Centauri b. Ele orbita Proxima Centauri, a estrela mais próxima do Sol, localizada a cerca de 4,2 anos-luz da Terra.
Imagine que exista alguém lá, neste exato momento, apontando para a Terra um telescópio absurdamente poderoso — poderoso o suficiente para distinguir o que acontece na superfície do nosso planeta.
Esse observador não estaria vendo a Terra de hoje.
Ele veria a Terra de mais ou menos quatro anos atrás.
A luz que está chegando lá agora partiu daqui naquela época. Para esse observador, tudo o que aconteceu na Terra desde então ainda estaria viajando pelo espaço.
E mais: as espaçonaves mais rápidas já construídas pela humanidade levariam dezenas de milhares de anos para percorrer essa distância.
Agora, vamos aumentar esse caminho.
Imagine uma civilização localizada a 66 milhões de anos-luz daqui. Caso ela conseguisse observar a superfície terrestre, a luz que estaria recebendo agora teria deixado nosso planeta há 66 milhões de anos.
Em vez de cidades, aviões, satélites ou seres humanos, ela veria imagens de florestas antigas, mares diferentes e os últimos dinossauros caminhando pela Terra, pouco antes da grande extinção.
Para nós, os dinossauros desapareceram há dezenas de milhões de anos. Mas a luz daquela Terra ainda existe. Ela continua avançando pelo Universo, formando uma espécie de arquivo em expansão de tudo o que já aconteceu aqui.
E se essas distâncias parecem difíceis de imaginar, vale compará-las com o objeto humano que chegou mais longe.
As sondas Voyager foram lançadas em 1977. Quase meio século depois, a Voyager 1 atravessou os limites da heliosfera e viaja pelo espaço interestelar. Mesmo assim, ela ainda não chegou à distância de um único dia-luz da Terra.
A Voyager 1 só alcançará essa marca — cerca de 26 bilhões de quilômetros — em novembro de 2026. Quase cinquenta anos viajando. Menos de um dia para a luz.
É nessa diferença brutal de escalas que está uma das maiores dificuldades da busca por vida fora da Terra.
E se alguém estivesse nos observando, o sinal mais claro da existência da humanidade estaria nas nossas transmissões de rádio e TV. O problema é que essas transmissões só começaram há pouco mais de 100 anos. Isso significa que qualquer civilização a mais de 100 anos-luz de distância provavelmente ainda nem sabe que existimos.
Mas as distâncias são tão grandes que talvez estejamos procurando não apenas por seres distantes… mas por seres que existiram em outro tempo.

Procurando bioassinaturas
E tem mais um detalhe importante. Quando falamos de vida fora da Terra, não estamos falando necessariamente de homenzinhos verdes superinteligentes. A Ciência procura assinaturas de seres microscópicos em planetas que podem ser alcançados pela visão dos telescópios que temos atualmente.
“A gente não consegue estudar diretamente a vida em exoplanetas. A gente procura por bioassinaturas nas atmosferas. Mas isso é feito por um processo muito complicado. No momento em que o exoplaneta passa em frente à estrela, a gente vai analisar a alteração que houve no espectro da estrela. Subtraindo o espectro da estrela do espectro de quando o exoplaneta passou por ela, a gente vai ter o espectro da atmosfera do exoplaneta. O problema é que o sinal é muito tênue” – explica Marcelo Zurita, astrônomo e colunista do Olhar Digital News.
Exoplanetas, Marte e luas do Sistema Solar
Vamos lembrar alguns exemplos que sacudiram a astronomia.
Em abril de 2025, uma equipe de astrônomos anunciou que poderia ter encontrado sinais de vida em um planeta a cerca de 120 anos-luz da Terra chamado K2-18b. Esse mundo gigante é parecido com Netuno, e orbita uma estrela a 120 anos-luz de distância. Cientistas estudaram sua atmosfera e acreditam ter detectado sulfeto de dimetila, um gás que, na Terra, vem de microrganismos oceânicos. Esse gás seria um possível indício de vida. Mas outros estudos analisaram os dados mais a fundo e não encontraram provas sólidas da presença dessa molécula.
E o trabalho de investigação dos exoplanetas é constante.
Agora em julho, noticiamos que astrônomos revisaram a análise de um mundo chamado GJ 3378b e apontaram que ele pode ser um mundo rochoso com características mais próximas da Terra do que se imaginava. Ele fica a cerca de 25 anos-luz do Sistema Solar, em órbita de uma estrela anã vermelha.
Apesar de estar na zona considerada favorável à existência de água líquida, especialistas ainda não conseguem afirmar se o planeta possui atmosfera ou condições para sustentar vida.
E também neste mês, cientistas anunciaram a primeira detecção direta de uma atmosfera ao redor de um planeta rochoso localizado na zona habitável de sua estrela, um feito considerado inédito e que representa um avanço importante na busca por mundos potencialmente capazes de abrigar vida.
A zona habitável, lembrando, é a região ao redor de uma estrela onde as temperaturas podem permitir a existência de água líquida na superfície.
O planeta, chamado LHS 1140 b, está a aproximadamente 48 anos-luz da Terra e, segundo uma nova pesquisa, possui uma atmosfera que contém hélio.

Além de ser o primeiro planeta rochoso com atmosfera detectada diretamente, ele também é o primeiro desse tipo localizado na tal zona habitável.
Outras evidências estão aqui na vizinhança.
Em setembro do ano passado, a NASA anunciava que uma amostra coletada pelo rover Perseverance em Marte, em um antigo leito de rio seco na Cratera Jezero, poderia preservar evidências de vida microbiana ancestral. Retirada de uma rocha em 2024, a amostra continha potenciais bioassinaturas – ou seja, uma substância ou estrutura que pode ter origem biológica, mas que requer mais dados ou estudos adicionais antes que se possa chegar a uma conclusão sobre a ausência ou presença de vida.
Em junho deste ano, novos dados do rover indicaram que amostras na mesma região do planeta vermelho contêm uma forma complexa de carbono, a base química de toda a vida conhecida.

E a esperança aqui no Sistema Solar não se resume a Marte. Estamos falando de luas de Saturno e Júpiter, como Europa, Encélado e Titã. “Outra esperança que a gente tem é que a vida possa existir nos oceanos de água líquida que existem abaixo da crosta de gelo dessas luas. Essa água líquida está abaixo de quilômetros de gelo. E atualmente não temos tecnologia para acessar essa água e estudar essa água. Ainda assim, a sonda Europa Clipper está a caminho de Júpiter para estudar a lua Europa” – lembra Marcelo Zurita.

E como falamos, é muito difícil que nossos sinais tecnológicos cheguem para civilizações distantes. E a recíproca é verdadeira. Mas esse trabalho de busca por vida inteligente é feito continuamente aqui na Terra.
“Isso a gente faz desde a década de 1970 com radiotelescópios espalhados pelo mundo. A gente aponta esses equipamentos para locais específicos no Universo e procura por sinais emitidos por civilizações – sinais que não podem ser emitidos de forma natural. A questão é: quando a gente espera receber o sinal de um planeta que orbita uma estrela, essa estrela também emite sinal de rádio. Esse ruído atrapalha grande parte do sinal que esperamos receber. Não encontramos nada ainda. Não quer dizer que não exista. Talvez só queira dizer que é muito difícil mesmo a gente detectar” – conclui Zurita.
E você? Acredita que estamos sozinhos no Universo ou só não encontramos nada?
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