Os eSports se tornaram um verdadeiro mercado global, que atrai milhões de espectadores ao oferecer competições emocionantes e grandes espetáculos. Esse crescimento também traz uma enorme quantidade de dados que podem trazer muitos benefícios aos times se devidamente analisados.
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Entretanto, não estamos falando apenas de dados simples, nem de métricas estatísticas. Há outros dados muito mais complexos, que servem tanto para o aspecto tático quanto para o treinamento dos jogadores profissionais. Em geral, eles permitem identificar e corrigir erros, antecipar as estratégias adversárias, assim como fazer a melhor escolha antes mesmo da partida começar.
Análise de partidas e desenvolvimento de estratégias
A análise dos dados obtidos nas partidas tem sido fundamental para desenvolver estratégias nos esportes eletrônicos. Desenvolver planos de jogo e adaptar-se aos adversários são algumas das funções que são possíveis de obter estudando esses dados, enquanto há certas ferramentas essenciais para essa análise.
Mapas de calor

Esses dados são uma representação visual de determinados comportamentos dos jogadores, medidos através da frequência e traduzidos em uma escala de cores sobre o mapa. Suas informações podem ser as mais diferentes situações: movimentação dos jogadores, posicionamento de sentinelas, mortes, etc. Ao levantar esses números, é possível planejar melhor a rotação e o controle de objetivos-chave. Além disso, mapas de calor são ótimos em mostrar onde os problemas ocorrem, principalmente em locais de mortes frequentes.
Draft inteligente
Em jogos como League of Legends e Dota 2, há a escolha e banimento de personagens, o Draft. São escolhas que geram dados mensuráveis, com informações como: capacidade de dano, controle de objetivos, possibilidade de combos e habilidades complementares. Com essas informações, é possível avaliar o equilíbrio da equipe, identificar em que momento da partida o time atinge seu auge, e compatibilidade entre personagens específicos.
Timelines

Ferramentas de timeline são similares aos mapas de calor, mas mostram o mapa de forma mais dinâmica, capturando cada momento da partida. Muito utilizadas em CS2, elas são uma ótima opção para ter uma visão mais panorâmica, com uma interface interativa para analisar o posicionamento dos jogadores, vida e munição, movimentação no mapa e trajetórias de utilitários (como granadas). Através desses recursos, é possível analisar momentos-chaves e compreender relações de causa e efeito das jogadas.
VODs
Mesmo com a utilidade dos mapas de calor e ferramentas de timeline, assistir a replays e recortes das partidas ainda é uma prática amplamente utilizada pelas equipes profissionais. Algo que podemos ver no artigo “ggViz: Accelerating Large-Scale Esports Game Analysis”, feito por Peter Xenopoulos, João Rulff e Cláudio Silva. Os pesquisadores constataram que, mesmo que as organizações de esportes eletrônicos adotem cada vez mais práticas dos esportes tradicionais – como analistas dedicados e decisões baseadas em dados – a revisão de partidas em vídeo continua como o principal modo de análise.
Mais do que números
As estatísticas de uma partida de eSports (abates, assistências, dano, precisão, etc.) são importantes, mas podem ser muito superficiais se analisadas friamente. Por esse motivo, há cada vez mais ferramentas e métodos de análise mais complexos. É uma evolução que caminha lado a lado com o crescimento dos esportes eletrônicos, tornando o cenário cada vez mais técnico e competitivo.
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O próprio mercado já reconheceu isso. Em 2023, a Riot firmou uma parceria com a GRID, plataforma especializada em dados de jogos, tornando-a parceira oficial de dados de eSports do League of Legends e do Valorant, além de ser a única distribuidora dos dados oficiais em tempo real das suas competições. Um movimento semelhante ocorreu no CS2 e no Dota 2 em 2025, quando a GRID se tornou a distribuidora exclusiva dos dados oficiais das competições da ESL, incluindo a IEM e a ESL Pro League.
O resultado mais concreto dessa união é o Valorant Data Portal, lançado pela Riot e pela GRID, destinado para as equipes profissionais. Os times têm acesso automatizado aos dados detalhados não só das partidas oficiais, mas também dos treinos – descrito pela Riot como a primeira iniciativa do gênero no cenário de FPS, liberando informações antes indisponíveis. É a prova de que dados deixaram de ser um recurso paralelo e uma infraestrutura oficial dos esportes eletrônicos. Nesse cenário, ler dados e utilizar ferramentas de análise não é um diferencial de times inovadores: é parte do trabalho básico de quem disputa profissionalmente.
Leonardo Bueno
Leonardo Bueno é entusiasta de arte, literatura, games e RPG. Trabalha com tecnologia e games há mais de 10 anos.
Rachele Victoria
Rachele Victoria é formada em Letras, MBA em Inovação e atua há 10 anos com comunicação e conteúdo gamer.
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