A SpaceX anunciou acordo para comprar um portfólio nacional de espectro nos Estados Unidos, em movimento que aproxima o serviço de internet via satélite Starlink do mercado de telecomunicações e coloca a empresa em rota de colisão ainda maior com gigantes, como AT&T, Verizon e T-Mobile.
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Após o anúncio, as ações das três operadoras caíram nas negociações após o fechamento do mercado.
O acordo prevê a aquisição do portfólio de espectro da Grain Management, empresa especializada em infraestrutura digital. A operação ainda depende da aprovação da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC, na sigla em inglês).
Segundo a SpaceX, o portfólio inclui licenças de até 14 MHz de espectro pareado na faixa de 800 MHz.
A empresa considera a frequência peça importante para o desenvolvimento do Starlink Mobile. Em comunicado, a SpaceX afirmou que o espectro de baixa frequência resolve uma das principais lacunas técnicas restantes para que o serviço se torne uma grande operadora móvel nos Estados Unidos.
Elon Musk, CEO da SpaceX, classificou o negócio como “acordo muito grande” em publicação no X.
SpaceX avança no mercado de celulares
- O anúncio ocorreu um dia depois de a FCC informar que pretende votar uma proposta para leiloar 25 MHz de espectro considerado prioritário para serviços de comunicação direta entre satélites e smartphones, conhecidos como D2D;
- A agência também informou que votará, em 29 de outubro, sobre a abertura de consulta pública para uma proposta que disponibilizaria outros 482 MHz de espectro para cobertura suplementar a partir do espaço;
- A proposta também prevê mudanças nas regras da FCC para modernizar os serviços D2D que utilizam espectro licenciado;
- As duas iniciativas podem beneficiar tanto a SpaceX quanto a Amazon, que também trabalha para desenvolver um serviço baseado em redes de satélites.

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AT&T, Verizon e T-Mobile se unem
O avanço da SpaceX ocorre em momento de mudanças no setor de telecomunicações estadunidense.
Na semana anterior, T-Mobile, AT&T e Verizon formaram joint venture voltada à expansão da cobertura em áreas que atualmente são mal atendidas, utilizando tecnologias de satélite e comunicação direta com dispositivos. A Starlink ficou de fora da iniciativa.
A T-Mobile também já havia retirado referências ao Starlink de materiais promocionais relacionados ao seu serviço T-Satellite.
O novo acordo indica que a SpaceX pretende ampliar a atuação da Starlink e disputar diretamente o mercado com as grandes operadoras estadunidenses, em vez de depender exclusivamente de parcerias com elas.
Especialista aponta limite para a estratégia
Para Tim Farrar, da consultoria TMF Associates, o negócio aumenta a disputa entre a SpaceX e as operadoras móveis. “Isso aumenta ainda mais a disputa entre a SpaceX e as operadoras móveis”, afirmou o especialista à CNBC.
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Farrar, porém, destacou que a quantidade de espectro adquirida ainda é limitada. Segundo ele, para obter uma cobertura confiável dentro de edifícios em áreas urbanas, a SpaceX precisaria instalar torres em solo.
Mesmo com essa limitação, a aquisição representa mais um passo da SpaceX para ampliar o alcance do Starlink Mobile e disputar espaço diretamente no mercado de telefonia móvel dos Estados Unidos.
Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.













